Tungcast#097: Discos de 1995

Série especial sobre os discos que completam 20 anos em 2015, com a novidade do Foo Fighters, a ascensão do Radiohead, o estouro do Smashing Pumpkins, a desilusão de Lenny Kravitz, a surpresa do Red Hot Chili Peppers, o cansaço do Extreme e do Van Halen e a vergonha do Bon Jovi.

 

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Menções e remissões: Alien Love Secrets (Steve Vai), It’s Five O’Clock Somewhere (Slash’s Snakepit), King For A Day (Faith No More), A Change Of Seasons (Dream Theater), Brutal (Dr. Sin), Forbidden (Black Sabbath), Ozzmosis (Ozzy Osbourne), Ballbreaker (AC/DC), Alice In Chains (Alice In Chains) e Joe Satriani (Joe Satriani)


Smashing Pumpkins – Mellon Collie And The Infinite Sadness
Estouro da banda no mainstream. Duplo, denso, bem trabalhado, com Billy Corgan em seu auge criativo e com músicas que definiram a sonoridade da época. Polêmica: este disco seria o Physical Graffitti dos anos 90?
música ► “Bodies
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Red Hot Chili Peppers – One Hot Minute
Depois do estouro comercial com BloodSugarSexMagik (1991) e a saída de John Frusciante, veio Dave Navarro para assumir a guitarra e gravar este que é o “disco polêmico” da banda, com uma sonoridade mais sombria, puxando para o metal em alguns momentos, mas ainda rendendo bons singles.
música ► “Shallow Be Thy Game
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Foo Fighters – Foo Fighters
Disco de estreia da banda, lançando um ano após o fim do Nirvana e com Dave Grohl saindo da sombra de Kurt Cobain, inclusive gravando todos os instrumentos. Despretensioso no início, já dava sinais de que ao contrário de sua ex-banda, o FF soube jogar bem com o mainstream.
música ► “Floaty
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Van Halen – Balance
Disco que marcou o início do fim da era Van Hagar, depois da morte do manager Eddie Leffler e a entrada de Ray Danniels, criando uma cizânia entre Sammy Hagar e os irmãos holandeses. A produção de Bruce Fairbairn afetou negativamente o repertório, em especial nas baladas radiofônicas.
música ► “Aftershock
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Extreme – Waiting For The Punchline
Disco mais cru do que 3 Sides To Every Story (1992) e Pornograffitti (1990), marcando a entrada da sujeira no som da banda e revelando o esgotamento da fórmula hard virtuosa dos anos 80, que levou as bandas dessa época ao fim.
música ► “There Is No God
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Lenny Kravitz – Circus
Calcado em influências que iam de Led Zeppelin a Jimi Hendrix, mostra um Lenny Kravitz desiludido em relação ao showbiz, com letras confessionais e sonoridade sombria. Último disco em que ele encarna o “roqueiro-oitentista-sujo-angustiado-meio-underground”, antes de abraçar de vez o mainstream.
música ► “Thin Ice
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Radiohead – The Bends
Segundo álbum da banda, se tornou o “disco ostentação” dos hipsters. Ainda encaixado dentro do contexto do brit rock dos anos 90, trazia um som mais orgânico, sem os experimentalismos que viriam dois anos depois, com Ok Computer.
música ► “My Iron Lung
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Bon Jovi – These Days
Depois de Keep The Faith (1992) o Bon Jovi continuava a manter sua fé em baladas xaroposas e mostrando que o hard rock dos anos 80 estava definitivamente sepultado. Aqui estão também as primeiras investidas da banda no country/brega, até se tornar essa mistura indigesta de Roberto Carlos, Luan Santana e Edson & Hudson.
música ► “Hey God

Ouça a série completa: Discos que completam 20 anos

5 Responses to “Tungcast#097: Discos de 1995”

  1. Chico Milk disse:

    Eu também tinha 14 anos quando ouvi Mellon Collie pela primeira vez, e marcou minha adolescência. 1979 é a música que eu considero a trilha sonora dos meus dias de escola, e Galapogos e Porcelina abriram minha mente para músicas que abandonavam as fórmulas convencionais de música.

    Existe alguma possibilidade de rolar um programa sobre o Smashing Pumpkins?

    É isso. Parabéns pelo programa. Excelentes escolhas e comentários muito bons sobre tudo. Abraço!

  2. Cyrille disse:

    Meus amigos do Tungcast,
    Vocês são realmente certeiros. Dos discos de 91 foram para os discos de 94 e agora fizeram um podcast sobre os discos de 95. Ótimas escolhas. Escuto outros podcasts sobre música mas o de vocês realmente supera tudo. Os outros podcasts ou fazem referências de bandas e discos até os inícios dos anos 80 ou só gostam de Heavy Metal e coisas do tipo (apesar de também pararem no tempo de uma certa maneira). Obrigado pelo vosso trabalho!

    Vocês citaram os discos certos se “pregarmos” os discos referidos no post e os discos que foram discutidos; eu assino totalmente em baixo (tirando o tosco do Bon Jovi mas entendi a incluída). Vocês pecaram só com um disco! Não falaram nada sobre o Mad Season. Queridos, “Above” saiu em 95, é o disco que saiu naquela época que é o que mais cresce em mim até hoje. O disco anda sendo revisitado por Mike Mccready e eu o acho a cada dia mais lindo. Recomendo que leiam o livro “Grunge is dead: the oral history of Seattle rock music” escrito por Greg Prato.

    Smashing pumpkins é uma banda super importante para mim. Como vocês, sou da época e acho que não existe nenhum disco que tenha mais escutado na vida que “Siamese Dreams”. Essa época descobria Black sabbath com Ozzy, Deep Purple, Led Zep, etc… Ainda acho que esse disco (o Siamese) beira a perfeição. Esperei o “Melancolie” com quase fanatismo na época e isso culminou no show que a banda fez no Hollywood de 96 no Rio de Janeiro. Vi a banda na primeira fila, meu ídolos na minha frente foi algo musicalmente inesquecível mas superável e me apaixonei por The Cure que fechou a noite e hoje os curto mais que os pumpkins. Depois do show, Billy Corgan só me deu decepção. Os discos dele só foram indo para baixo. Algo que não disseram sobre o SP: Smashing é Corgan mas precisa ser sempre impulsionado por Jimmy Charberlain. O cara é um puto baterista, o cara pode entrar em uma banda de jazz com Miles Davis e arrenbetar. Naquela época haviam dois bateras fora de série: ele e o Deen Castronovo que tocou com Vai em Alien Love Secrets e fez tour com o Ozzy). O Smashing fez um disco foda com “mellon”, obrigado por me fazerem pensar que pode ser o “physical grafiti” dos anos 90. A idea é polêmica mas super interessante como salientaram.

    “One hot minute” é foda pra caralho. Outro disco que cresceu com o tempo mas acho que já absorvi. Caras, o instrumental desse disco é incrível! Red Hot tocando ao máximo. As linhas de baixo do Flea são fora de série. Acho a sonoridade potente e discordo de vocês que o disco é longo demais. Perde para o “blood sugar” mas acho que eles não tocam por ser difícil demais, Californication é muito mais fácil de tocar e faz muito mais sucesso. Eu toco, tente tocar algo do disco, dá pra fazer mas é estranhamente difícil.

    Adoro o Foo fighters e o primeiro disco de 95 é o meu favorito até aqui mas acho que é uma banda super-estimada. FF nunca realmente me empolgou com nada mas sempre achei legal. Dave é bom, um cara super sensível e legal e, mais uma vez, curto a banda. Sua melhor performance musical foi no disco do Them Crooked Vultures. Foda-se FF e Nirvana até um certo ponto. Esse é o melhor disco de Rock dos últimos 15 anos. Suspiro pelo segundo do TCV.

    O disco do Extreme está um pouco out da lista vossa mas acho que entendo a inclusão que fizeram. Eu entendo o vosso contexto: jovem, de 16 anos (minha idade na época) aprendendo a tocar guitarra quando toda outra educação me parecia uma merda e curtindo muito Candlebox. Escutei muito o disco querendo aprender para fazer o meu “Mellon Colile and Infinite Sadness”

    Sobre o nosso eterno Bom Jovi tenho uma história que gostaria de compartilhar convosco. Na época tinha um grande amigo que era mais velho que agente. Ele curtia muito rock e era super aberto: curtia Pearl Jam, Alice in Chains e os restos mas ele era de uma geração antes da nossa, nos seus 14, a era já tinha passado… Era o hard rock farofa que agente conhece. Ele era super fan do Bon Jovi. Me dizia (isso tipo em 97 e eu achava horrível) que ir no show do cara era bom pra pegar mulher. Um grande amigo, sempre me deu um super convívio e a liberdade em falar de música. Ele me apresentou Paulinho Moska, e isso, é algo que lhe sou eternamente grato até hoje. Bom Jovi era uma banda que ele adorava, da mesma forma que eu amava os SP na época. O disco que se referiram saiu e ele me fez o seguinte comentário: “Bom Jovi é bom mas é foda! Mas ele tá caindo… Eu gosto de Rock em Roll, ele fazia 12 músicas, 10 rock em roll e duas baladas mela-cueca. Agora ele faz 10 baladas mela-cueca e 2 rock n’ rolls!”

    Obrigado por me lembrarem isso! Ótimo podcast!

    Be sound!

    Cyrille.

  3. Diogo Salles disse:

    Amigos, obrigado pelas audições e comentários.

    Chico, ainda sem previsão de rolar um programa só sobre o Smashing Pumpkins. Nossa agenda está toda preenchida no momento.

    Cyrille, que comentário é esse, rapaz? Sensacional! Bom, eu conheço bem o Mad Season – adoro “River of Deceit” – mas, como vc pode imaginar, tínhamos de fazer alguns cortes para que coubesse tudo.

    E compartilho de sua opinião: Then Crooked Vultures >>>>>>>>>> FF

    abs
    Diogo

  4. Burn Eidelwein disse:

    Olá Diogo e Rafael. Acompanho sempre o tungcast e, na maioria das vezes, concordo com o que vocês dizem. Porém, acho que vocês se fecham muito quando o assunto é pop. O pop tem que ter acordes dissonantes pra ser bom? Na minha opinião, como músico há 15 anos, não. Sempre que uma banda mais pop entra na jogada, vocês sentam a lenha, e é nesses momentos que eu discordo de vocês, pois tem muita canção pop ótima e que vira hino, apesar de ser simples. O Bon Jovi teve sim muitas músicas “meia-boca”, pra “encher linguiça” e puramente de âmbito comercial. Porém, eles são uma das bandas que está até hoje lotando estádios, e com hits do início ao fim do show, fazendo concertos de mais de 2 horas e mantendo a pegada de sempre (apesar do Jon estar cansado e com a voz fodida, e da saída do Richie, um excelente guitarrista, backing vocal e músico.) Acho que vocês pegam muito pesado com bandas que atingiram o auge no mainstream. Parece que, na concepção de vocês, só por que aquela banda, aquela música ou aquele álbum é mainstream, quer dizer que é ruim. Discordo totalmente disso. Eu evoluí muito na música quando comecei a abrir a cabeça para todos os estilos, inclusive o pop, que tem muita coisa interessante. Na minha opinião, o álbum “These Days” do Bon Jovi é um ÓTIMO álbum, um dos meus favoritos. E o Richie Sambora é um ótimo guitarrista, muito criativo, além de ser um puta backing vocal. Por favor, não falem mais desse jeito sobre as guitarras dele, hahaha.
    Foi só uma crítica construtiva, baseada na minha opinião. Não levem a mal meus irmãos.
    Adoro o trabalho de vocês e tô sempre na escuta.

    Grande abraço!

    Burn Eidelwein

    • Diogo Salles disse:

      Fala, Burn, tudo bem?

      Cara, não precisa se justificar. Entendi perfeitamente o seu ponto de vista, mas continuo discordando nesse caso específico. Veja, o Bon Jovi era uma banda de rock nos anos 80. Nos 90 enveredaram para o pop. Nada de errado com isso, se o tivessem feito de forma mais, digamos, genuína. Ficou a clara impressão de que, nesse caso, eles se autobanalizaram de forma consciente, apenas para se manter no topo das paradas. Eles não entendem que a música tem seus altos e baixos, o mercado muda, a paisagem sonora muda. Se os caras querem ficar no topo custe o que custar, ok, mas tem um preço – e no caso deles foi a discografia. Sobre o Sambora, concordo: é um excelente guitarrista. Pena que a “diva” Jon BJ o tratasse como um empregado na banda, o que culminou com a sua saída.

      Sobre o pop no geral, sei que tenho fama de anti-pop, mas vale lembrar já elogiei aqui o George Michael, o Michael Jackson, o Prince, o Duran Duran, Bryan Adams, Peter Gabriel. Até da Adele já falei (e bem, caso pergunte). Já o Rafael escreveu posts sobre o Psy, Lianne La Havas, Charice, Spilt Milk, Jorge Drexler… Ou seja, não estamos condenando o gênero pop como um todo, mas temos um conceito de que o pop pode ser mais autoral e menos venal. Outro dia levei minha mulher no show do A-ha e foi ótimo. É um som mais simples, mas sem ser simplório. Um som verdadeiro, acima de tudo.

      Forte abraço
      Diogo