Blood, Lianne La Havas (2015)

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Há dois anos escrevi sobre Is Your Love Big Enough, disco de estreia de Lianne La Havas (de 2012). Nesse texto eu destacava o ótimo trabalho da cantora e compositora e desejava que ela tivesse uma carreira promissora. Pois bem: saiu agora, no final de julho de 2015, seu segundo álbum: Blood. O disco, felizmente, é outro ótimo registro. E, mais do que isso, mostra evolução e amadurecimento artístico. La Havas avança no seu pop adulto, bem montado, suingado, com arranjos criativos e toques de sutileza. E evita mergulhar em tendências e facilidades de formatos já consagrados. Além disso, mostra um ambição na medida certa: é arrojada, mas sem nem chegar perto da hubris.

Tudo isso já ouvimos na faixa de abertura, “Unstoppable”, que une sonoridades modernas a um clima meio anos 60 em alguns momentos. A segunda música, “Green & Gold”, é o grande destaque do disco. Dentro da proposta musical da cantora é uma canção espetacular, irresistível. Suingada, cheia de detalhes, com belas melodias que grudam na cabeça e vocais de apoio sutis, porém, essenciais. Notem, ainda, o brilhante trabalho de bateria: é uma atuação discreta, suingada, que leva bem o pulsar da música, mas que também tem pequenos inserções arrebatadoras, como uso de contratempos.

Ouça “Green & Gold”:

“Tokyo” é outro grande momento. Um pop mais descarado, mas que não apela para artimanhas fáceis, além de ter uma sonoridade bastante agradável. “Wonderful” prova que uma balada pop não precisa ser boba, óbvia, nem, digamos, “vendida”. É uma canção singela e de estrutura simples, mas cheia de sutilezas e belas melodias. “Midnight” tem ótimo arranjo, com vários elementos. No meio da faixa “Grow”, sua interpretação se aproxima demais dos trejeitos vocais de Alicia Keys, tirando um pouco de sua personalidade. Já “Ghost” lembra a ótima abordagem guitarra e voz de seu disco anterior. É outra ótima canção, com belíssima performance vocal. A linda e comovente “Good Goobye”, com dramaticidade precisa, é um encerramento monumental para outro belo disco de Lianne La Havas. Blood é sua afirmação como uma artista acima da média no universo pop.

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