Eleven, outra grande banda perdida no tempo

Eleven_Band

No meu texto anterior, destaquei um disco do Jellyfish, por ser uma grande banda dos anos 90 que ficou meio esquecida por aí. Hoje, repito o tema: outro ótimo grupo que surgiu na mesma década e também não teve grande exposição – o Eleven. O trio se formou em 1990 e era composto por Alain Johannes (que já tocou com gente como Them Crooked Vultures, Queens of The Stone e Chris Cornell); Natasha Shneider e Jack Irons (baterista que chegou a estar numa formação inicial do Red Hot Chili Peppers).

O som do Eleven poderia ser, de forma grosseira, definido como um rock-pop alternativo bem trabalhado. E a discografia do grupo, de certa forma, acompanhou a evolução sonora do rock dos anos 90: Awake In a Dream, disco de estréia, tem um clima mais solto, típico do começo da década. Já o auto-intitulado lançamento de 1993 tem um som mais cru, próximo ao grunge. Os discos seguintes começam a ser um pouco mais sombrios e experimentais, como Avantgardedog, de 2000. Destaco aqui, brevemente, os dois primeiros lançamentos:

>> Awake In A Dream (1990)
O disco de estreia, como escrito acima, tem um clima bem começo dos anos 90, com uma certa alegria, mas também ironia. Quem viveu sabe do que estou falando: os exageros musicais dos anos 80 estavam se dissipando um pouco, mas ainda longe do lado sombrio que veio com o grunge. Apesar de ser um disco de rock, em alguns momentos lembramos algo de Faith No More (dos dois primeiros discos) e Red Hot Chilli Peppers. Os timbres da gravação também remetem a essa década. Detalhes à parte, é um grande disco: ótima energia, bons arranjos, músicas bem pensadas, com boas estruturas pop, com bom nível do começo ao fim. A faixa de abertura é um bom indicativo de tudo isso: “All Together”, assim como sua sequência, “Break The Spell”. Outros destaques são “Rainbow’s End”, “Flying”, “Water Power” e a matadora “I Wanna See No Back”.

Ouça All Togehter:

>> Eleven (1993)
Aqui, o Eleven já está conectado à sonoridade do grunge: mais rock, mais sujo, mais sombrio. Mas nem por isso deixa de lado o trabalho de composição, que continua bom.
Tudo isso já fica claro na faixa de abertura, “Crash Out”, com um riff de guitarra distorcida. Mas a condução da música e o refrão lembram o Eleven do disco anterior, só numa voltagem um pouco acima. Em seguida temos a ótima “Reach Out”, com outro belo riff de guitarra. Uma música que aparenta direta e reta, mas vai apresentando pequenas surpresas, típicas do som do grupo. Já “Towers”, “Let Down (Left Out, Laughed) e “Yes, Alright” lembram mais o som do disco anterior. “Hieronymus” começa a experimentação que viria a se apresentar mais nos discos seguintes. “Ava Tar” é outro belo rock com sonoridade mais crua.

Veja o vídeo de Reach Out ao vivo:

Em tempo: em 2014, o guitarrista e um dos vocalistas do grupo, Alain Johaness, lançou um disco solo chamado Fragments And Whols Vol. 01. É um registro muito bom. Embora opte por um som mais acústico e climático em relação ao som do Eleven, tem ótimos momentos, entre os quais “Whispering Fields”, “It Is” e “Petal’s Wish”.

Veja uma versão ao vivo de “Whispering Fields”:

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