Alien Love Secrets, Steve Vai (1995)

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Alien Love Secrets, um dos melhores discos da carreira de Steve Vai, nasceu em um contexto. Em 1995, Steve Vai trabalhava num disco ambicioso, que ele dizia ser complexo. Estava até considerando o lançamento de um álbum duplo. Esse disco seria Fire Garden, lançado no ano seguinte em formato simples, apenas um CD. Mas a complexidade estava lá: músicas densas, épicos e dramaticidade. E, mais do que isso, um disco dividido em dois: uma parte só de músicas instrumentais e outra com músicas vocais, interpretadas pelo próprio Vai.

Outro item importante nesse contexto: Fire Garden seria, também, o primeiro disco solo do músico após o mítico Passion And Warfare, de 1990. No meio tempo ele lançou Sex & Religion, em 1993. Mas ali foi como banda Vai, um projeto que tinha intenção de ser um grupo de rock, com músicas cantadas. Por tudo isso, ele precisava de tempo, concentração e dedicação para terminar o que viria a ser Fire Garden. Mas, ao mesmo tempo, ele sentia que precisava dar algo aos fãs e, por que não, para ele mesmo, depois de tanto tempo sem lançar um disco puramente de guitarras. Decidiu, então, lançar este Alien Love Secrets.

Além de uma espécie de presente para os fãs, o disco também seria sem, digamos, firulas: gravado com uma formação de trio (guitarra, baixo e bateria), com algumas poucas inserções de teclados. Ou seja: nada de loucura ou experimentalismos: um disco cru, focado na performance de guitarra rock. E direto e reto: são apenas 7 faixas. O resultado, além de brilhante, pode ser uma boa porta de entrada para aqueles que torcem o nariz para Steve Vai. Sem muitas das idiossincrasias e exageros do músico, o disco mostra claramente sua potência guitarrística.

A abertura é, com o perdão do trocadilho infame, uma patada: “Bad Horsie” é pesada e crua, trazendo ecos da sujeira de Sex & Religion. Em seu início, Vai emula com a guitarra sons do relincho e andar de um cavalo. O riff principal traz o uso raro de slide. E é um belo cartão de visitas para o disco: bateria e baixo basicamente marcam o ritmo, para o desfile de licks e solos de Vai, com muito uso de wha-wha. Sem distrações, apenas uma mostra da habilidade e criatividade de Vai. Guitarra rock em seu estado puro.

“Juice” vem com ritmo mais acelerado. Uma música que lembra bons rockers dos anos 80, com algo de Van Halen era David Lee Roth. Uma música, também, que remete aos climas para cima de Joe Satriani. Vai leva a música a partir de acordes, criando licks sobre eles, até a chegada do solo, em que não economiza em notas.

“Die To Live” e “The Boy From Seattle” são espécies de baladas meio rock, de clima agradável, calcadas na sonoridade em trio que, de certa forma, são marcas de sua carreira. Semelhante a ela temos, por exemplo, desde “Viv Woman” do disco Flex-Able até “Sunshine Eletric Raindrops”, do mais recente disco de estúdio The Story Of Light. Essas duas músicas mostram bem como Vai também pode trabalhar com sutilezas, em especial “The Boy From Seattle”, que também evidencia influência de Hendrix.

E como em todo o disco de Steve Vai há alguma bobagem. E essa bobagem se chama “Ya Yo Gakk”. Uma colagem de sons de seu filho, então bebê, colocadas em cima de uma base de rock. Uma piadinha que destoa num disco quase impecável. Como contraponto, temos “Kill The Guy With The Ball”, pesada e sem espaço para respiros. Ou melhor, o respiro vem no final, uma espécie de apêndice, a enigmática “The God Eaters”. Apesar de não estar no contexto de guitarra rock, vale como lembrança das idiossincrasias de Vai. Para fechar muito bem o disco, uma das grandes músicas da carreira do músico: “Tende Surrender”. Fazendo jus à mítica faixa 7 de seus álbuns, sempre de baladas: belas melodias e um solo final antológico.

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