Intactus, Dr. Sin (2015)

dr sin intactus

O Dr. Sin é uma das grandes bandas de rock do Brasil: faz um som competente e virtuoso, mas sem firulas. É uma banda que nunca fez um disco ruim. Fez, claro, discos de diferentes qualidades. Mas em cada lançamento há um punhado de boas canções. Não espere do grupo inovações sonoras nem grandes surpresas – e nem é essa a proposta. Mas, para usar uma expressão batida, é um arroz com feijão bem temperado. E, em tempos de tudo “gourmet”, em muitos momentos é só isso que precisamos.

Entre o fim de 2014 e início de 2015, o grupo lançou mais um belo disco. Mantendo a tradição de títulos simples e de apelo mais universal (como Brutal, Bravo e Animal), temos, agora, Intactus. É um ótimo registro, vigoroso, como há muito não se via. O grupo acerta na mosca na sua combinação de rock n’ roll, metal e virtuosismo. Os irmãos Ivan e Andria Busic, bateria e baixo, confirmam porque são a melhor cozinha do rock nacional. E também capricham nas vozes e vocais de apoio, além de terem grande participação nas composições.

Vale, ainda, um destaque para o guitarrista Edu Ardanuy. É um instrumentista fora do normal, brilhante. De promessa no começo dos anos 90, virou fato. Só não é mais aclamado, talvez, porque o Dr. Sin não teve forte exposição no exterior – como, por exemplo, o Angra e, mais ainda, o Sepultura. Senão, teria uma carreira como a de Andreas Kisser e de Kiko Loureiro – recentemente anunciado como guitarrista do Megadeth.

De qualquer maneira, Ardanuy, além de tudo, não parou no tempo. Ao contrário, evolui a cada ano e também vai incorporando mais elementos em seu som, seja com o uso de pedal de whammy ou pela influência de guitarristas como Mattias IA Eklundh. Em “We’re Not Alone” temos a junção de seus licks criativos com esses novos elementos. Outra mostra de seu talento, “Soul Survivor”: seus licks blues rock são faíscantes, de uma fluência ímpar. Para quem não gosta do virtuosismo, parecem notas jogadas, mas não o são. São fraseados bem montados, assim como o solo da mesma música.

Voltando ao trabalho de banda: “The Big Screen” mostra toda a influência do Van Halen dos anos 80 – o riff com two hands tapping, o arranjo, o vocal meio falado a la David Lee Roth, o diálogo da voz com a guitarra, a ponte e refrão empolgantes. Além, claro, de um solo demolidor. Bela homenagem. “Saturday Night” tem um riff marcante, uma ótima abertura. “The Great Houdini” lembra o velho e bom Dr Sin, com seu instrumental intrincado e que não para nunca. “This Is The Time” e “Without You” são baladas que os fãs de hard rock vão adorar. O disco se encerra muito bem com “Fight The Good Fight”, em que o grupo vai mais fundo em suas influências de rock progressivo: uma música que passeia por diferentes caminhos e climas. Ao final da audição é possível dizer, sem exageros, que Intactus tem lugar de destaque na discografia do Dr. Sin.

2 Responses to “Intactus, Dr. Sin (2015)”

  1. Vítor Martins disse:

    Po, que legal. Curti a resenha , escutei o disco e gostei bastante do resultado. Acho que eu demorei a me interessar em escutar o som dessa banda , por que em minha mente, sempre vinha a imagem daquelas bandas de metal farora hahahaha, enfim, valeu pela dica, pessoal , espero que o site continue por longo tempo com seus ótimos artigos. PS: Foi mal encher o saco, mas , quando sairá um novo tungcst. Aquela proposta de um Tungcast The Police ainda está de pé ? Forte Abraço,Vítor

    • Diogo Salles disse:

      Caro Vitor, nossa agenda é sempre ter post toda quarta-feira, sendo que a última quarta do mês é um Tungcast.

      Sim, o Tungcast Police está na agenda, mas ainda vai levar alguns meses para ser produzido.

      Aguarde mais um pouco que vai rolar com certeza, ok?

      abs
      Diogo