A Música No Seu Cérebro (Daniel J. Levitin, 2006)

Você já parou para pensar por que se tornou um Geek Musical? Por que gosta tanto de certas músicas? De onde veio seu interesse por música? Como ele se desenvolveu? Por que você gosta mais de certos estilos do que de outros? Por que alguém se torna um músico melhor e outros não? Como funciona a transição do deslocamento de ar (um som) até chegar no seu cérebro e ser interpretado? Por que certas pessoas têm tanta intimidade com a música, enquanto outros tem dificuldade de acertar as palmas num mero parabéns?

O livro A Música No Seu Cérebro – A Ciência de Uma Obsessão Humana (Daniel J. Levitin, 2006, Ed. Civilização Brasileira), tenta desvendar boa parte dessas perguntas a partir de pesquisas e estudos sobre as ações e efeitos da música nas atividades cerebrais. O autor é um especialista no assunto: dirige o Laboratório de Percepção, Cognição e Especialização Musicais da Universidade Mcgill (Montreal, Canadá). O livro não é de leitura fácil: para poder contextualizar e explicar os assuntos, são utilizados muitos termos técnicos – tanto de música quanto de neurologia – e diversas citações a pessoas, profissionais, artistas, pesquisas e fatos. Portanto, é uma leitura que exige atenção e cansa em alguns momentos. E o término do livro nos traz uma sensação agridoce: a ciência permanece sabendo muito pouco sobre o comportamento do cérebro – apesar de vários avanços nos últimos anos.

Nem por isso deixamos de ter boas observações durante a leitura. Aprendemos, entre tantas coisas, que foi descoberto que a música é distribuída por todo o cérebro – e não apenas no hemisfério direito. A atividade musical mobiliza quase todas as regiões do cérebro que temos conhecimento. Lemos também que “o som é uma imagem mental criada pelo cérebro em relação às moléculas de vibração” – ou seja, o som em si não existe puramente, apenas como uma interpretação. Já as notas musicais são designações arbitrárias que associamos a determinadas frequências. Entendemos melhor que tipos de associações no cérebro são necessárias para cada componente da música (letra, ritmo, harmonia, melodia, etc). Também, no livro, o autor corrobora duas teses: da necessidade de 10 mil horas de estudo para se tornar um profissional numa determinada atividade (a dúvida ainda é como são essas 10 mil horas de estudo) e que a idade chave para a fixação de preferências musicais é de 14 anos. Além disso, o autor é apaixonado por música, deixa isso claro e, no fim das contas, é um dos motivos para o livro valer a leitura. Apesar de ser um livro que demanda paciência e atenção, por causas das referências e termos técnicos já citados, é uma boa leitura para quem quer entender melhor como a música se comporta no cérebro.

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