10 anos sem Dimebag Darrell

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O dia 08/12 não é de boas lembranças para o rock. Em 1980, John Lennon foi alvejado de forma mortal por um “fã” desequilibrado. Vinte e quatro anos depois, em 2004, a cena do metal se chocou com uma outra tragédia similar, na mesma data. O guitarrista Dimebag Darrell foi assassinado a tiros, em pleno palco, por um dos presentes no show de sua banda Damageplan. Foi o ponto final na história de um dos mais talentosos guitarristas de rock dos anos 90 e 2000.

Darrell Lance Abbott, seu nome de registro, era um geek musical: não escondia sua paixão por Ace Frehley e Eddie Van Halen. Era um ótimo criador de riffs ferozes e construtor de solos em alta velocidade. E, ao contrário da maioria dos guitarristas, tinha predileção por amplificadores transistorizados em vez dos valvulados. Com isso, seu timbre perdia em corpo e aveludado – era mais chapado e estridente. No fim das contas, esse fato também ajudou Dime a construir sua sonoridade característica. Ele também adorava a alavanca Floyd Rose e foi um dos músicos a resgatar o uso do pedal Whammy. Não foi um inovador, mas pegou todas as suas influências e foi competente em junta-las para fazer um som seu.

Pantera_showDo ponto de vista pessoal, são muitos os relatos de que Dime, do começo ao fim, se manteve apenas um moleque apaixonado por guitarra. Ingênuo ao ponto de não saber como mexer com os rios de dinheiro que entraram via Pantera – fato relatado por Rex Brown em seu livro de memórias. Darrell queria tocar e se divertir. Especialmente, se embebedar com seu camaradas, como Zakk Wylde, um de seus amigos mais próximos – e que sempre que pode presta homenagens a seu “irmão”. Essa faceta foi atestada recentemente por um dos caras mais gente boa do rock, Dave Grohl:

“Dimebag Darrell era o cara mais legal do mundo. Ele poderia chegar e tomar uma dose de Crown Royal (um tipo de uísque) com Justin Bieber, com Rick Nielsen, com James Brown – ele era o melhor amigo de todo mundo. E você podia sentir essa energia quando ele estava tocando.”

Antes de sua morte, Darrell começou quase do zero com o Damageplan, banda que montou, novamente, com seu irmão – o baterista Vinnie Paul Abbott. O Pantera já estava dissolvido e seus membros trocavam farpas pela imprensa, que se esbaldava e jogava Jack Daniels na fogueira das fofocas. Alguns fãs mais exaltados discutiam pela internet, defendendo seus membros favoritos. Um desses fãs passou do ponto e levou o drama, comum a qualquer grande banda, às últimas consequências: acabou disparando tiros de sua 9 mm no fatídico show, matando mais três pessoas – incluindo o chefe de segurança da banda Jeff “Mayhem” Thompson – e ferindo outras sete. O atirador, Nathan Gale, foi morto pela polícia ainda no local.

Apesar de muitas acusações entre os membros remanescentes, é quase consenso atualmente que as brigas da banda não tiveram influência direta no assassinato: Gale sofria de problemas mentais, era obcecado pelo grupo e não tinha exatamente um alvo específico do Pantera – só quis da pior forma possível extravasar sua insatisfação com o fim da banda. Poderia ter feito o mesmo com qualquer outro membro do grupo.

Dimebag Darrell, ao menos, deixou um belo legado: se apenas um disco, de estreia, com o Damageplan, gravou 09 álbuns de estúdio com o Pantera. Neles, temos riffs bombásticos e solos memoráveis em grandes músicas para quem gosta do estilo. Algumas de minhas favoritas: Cowboys From Hell, My Third Arm, Becoming, Suicide Note Pt. II, Strength Beyond Strength, Live In a Hole e A New Level, entre tantas outras.

Fique à vontade para colocar nos comentários seus fatos e músicas favoritas de Dime. Por enquanto, veja o Pantera tocando no Monters Of Rock italiano de 1992:

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