Birthday Bash de Sammy Hagar em Las Vegas

> por Eduardo Pinheiro

Este ano eu já tinha decidido passar minhas férias novamente em Cabo San Lucas, no México. Para quem não conhece, é lá que acontece todo ano o Birthday Bash, onde Sammy Hagar comemora seu aniversário, reunindo sua banda na Cabo Wabo Cantina para tocar músicas do Van Halen, de sua carreira solo e clássicos do rock. Seria minha quarta vez nessa festa (estive lá em 2006, 2008 e 2013). Fui sorteado para o primeiro dos quatro shows que ele faz nesse período, no dia 7/10. Com o ingresso garantido, organizei a viagem. Estava tudo certo, mas em meados de setembro o furacão Odile atingiu em cheio Cabo San Lucas, destruindo boa parte da cidade e causando o fechamento do aeroporto por tempo indeterminado. Sammy decidiu cancelar o Birthday Bash em Cabo, e passou a buscar novos locais para a festa.

Comecei então a pensar em alternativas, e decidi alterar minha viagem para o EUA, pois o Sammy provavelmente faria alguma coisa por lá, e escolhi como destino a cidade de Las Vegas. Eu tinha alguma milhas a vencer, e poderia utilizá-las para ir ver o show do Sammy onde ele marcasse. Consegui fazer a troca das passagens, e decidi estender um pouco a viagem para aproveitar mais a cidade. A princípio meu período de viagem seria de 5/10 a 14/10, mas resolvi alterar para o período de 7 a 21/10.

Dias depois o Sammy recebeu um convite para um show em Las Vegas, no dia 18/10, onde ele inauguraria um novo espaço de shows na cidade, o Downtown Las Vegas Events Center. Ele teve então a ideia de aproveitar a oportunidade e transferir o Birthday Bash para este local. Imagine a sorte de escolher justamente a cidade onde seria o Birthday Bash. E se eu não tivesse alterado o período da viagem eu perderia o show. Como o local é bem maior que a Cabo Wabo Cantina, ele ofereceu a quem tinha ingresso para qualquer uma das quatro noites em Cabo a possibilidade de transferência, sem custo adicional. Como bônus, ele criou uma área denominada “Red Zone”, bem em frente ao palco, para quem fizesse a transferência. Além disso, ele anunciou alguns detalhes sobre o show, que seria com a banda The Circle (Sammy Hagar, Michael Anthony, Vic Johnson e Jason Bonham). Para o bis, subiriam ao palco Chad Smith e Joe Satriani, o que seria a primeira apresentação do Chickenfoot em três anos.


À esquerda, a velha parceria Sammy+Mike; à direita, Eduardo Pinheiro com Aaron Hagar

Cheguei em Vegas no dia 8/10, e comecei a explorar a famosa “Strip Area”. Na véspera do show, vi pelo Facebook que o Aaron Hagar, filho primogênito do Sammy, estava em Vegas, e iria para a CW Cantina. Eu já tinha conversado algumas vezes com ele pelo Facebook e por e-mail, e decidi ir até lá para conhecê-lo pessoalmente. Chegando lá vi vários fãs com camisa do Sammy, e um clima muito animado. A Cabo Wabo Cantina de Vegas é bem menor que a de Cabo San Lucas, e fica dentro de um complexo com lojas, hotel e cassino (Planet Hollywood). Tem um bar muito legal, com algumas fotos do Sammy e de Cabo, mas sem o charme da original. Encontrei o Aaron e conversamos por alguns minutos. Ele é um cara sensacional e muito atencioso. No final da conversa ele me falou: “Eu preciso ir lá para a entrada do bar para recepcionar meu pai, que está chegando, mas não fale nada pra ninguém.” Nesse momento bateu um desespero. Agradeci o Aaron pela informação e fiquei na porta do bar, fingindo que nada estava acontecendo, mas certamente quem me via percebia meu nervosismo.

Alguns minutos depois vi uma das filhas do Sammy (Kama) entrar no bar, e logo depois surge o Sammy com a esposa e a outra filha. Ele passou do meu lado, me cumprimentou, mas eu estava tão nervoso que não consegui falar nada. Quando o pessoal percebeu a presença dele o tumulto começou, como era de se esperar. Ele foi então para um salão VIP, que fica no andar superior da Cantina, e lá ficou com a família por cerca de uma hora. Quando vi uma movimentação, percebi que ele estava para sair, e a chance de conseguir uma foto com ele seria pequena no meio da confusão. Decidi esperá-lo do lado de fora, na rua e consegui cumprimentá-lo novamente. Falei que era do Brasil e pedi para tirar uma foto. Ele foi muito atencioso e sempre sorrindo atendeu meu pedido e de alguns outros fãs que apareceram por lá. Eu gostaria de ter perguntado algumas coisas para ele, como um possível show no Brasil, mas em poucos segundos fica difícil.

No dia seguinte fui cedo para o local do show para tentar garantir um bom local na plateia. Cheguei lá por volta das 11h, e já tinham cerca de 20 pessoas na fila. Os primeiros chegaram lá às 6h da manhã. No meio da tarde começamos a ouvir o início da passagem de som. No local onde estávamos não dava pra ver o palco, e decidi dar uma volta para tentar ver alguma coisa, e lá estavam Sammy, Michael, Chad e Satriani, ensaiando músicas do Chickenfoot. Os portões foram abertos às 19h, e consegui ficar na grade, bem a frente de onde ficaria o Michael Anthony. Às 20h entrou no palco a banda de abertura (Kaleido), que não animou muito a galera.

Por volta das 21h começou o show do Sammy. A galera da Red Zone estava muito animada. Na segunda música o Michael Anthony me reconheceu, apontou para mim e fez um sinal de positivo. O setlist dessa noite seria perfeito para um show aqui no Brasil. Tinha várias músicas do Van Halen e do Led Zeppelin. Em “Whole Lotta Love”, Sammy chamou ao palco Chad Kroeger, vocalista do Nickelback, que deu conta do recado. No solo de bateria, a imagem do John Bonham apareceu no telão, e o Jason fez o solo junto com o pai. Para o bis, a tão esperada volta do Chickenfoot. Eles tocaram apenas três músicas, mas é sempre uma experiência incrível ver esses caras juntos no palco. No final, uma jam com todos os músicos que participaram do show tocando “Rock and Roll”, com o Chad Smith assumindo uma terceira guitarra.


Sammy Hagar e Vic Johnson mandando “When The Levee Breaks”, clássico do Led Zeppelin


Jason Bonham, após solar na bateria “junto” com seu pai


Joe Satriani subiu ao palco para o encore com o Chickenfoot


Todo mundo no palco mandando “Rock And Roll” na veia, e com Chad Smith na guitarra


Encerramento do show com o The Circle e o Chickenfoot reunidos no palco

Apesar do show incrível, existe uma grande diferença em relação ao Birthday Bash em Cabo San Lucas. Nesses shows grandes não existe muita interação com a plateia, nem aquele clima intimista de CW Cantina. Confesso que senti falta desse clima no show. Além disso, normalmente em Cabo o Sammy prepara um setlist bem diferente, e nas quatro noites ele faz várias mudanças, repetindo poucas músicas. De qualquer forma, me diverti muito e fiz vários novos amigos entre os Redheads.

No dia seguinte ao show, o Aaron Hagar organizou um encontro dos Redheads na Cabo Wabo Cantina. É claro que eu fui. A festa foi no piso superior da Cantina, com uma ótima comida e boas conversas. Tive a oportunidade de conversar mais um pouco com o Aaron, e perguntei a ele sobre a possibilidade de shows no Brasil. Ele disse que já conversou com o Sammy sobre isso, e ele estaria bem animado em vir para cá, mas não é uma tarefa fácil. O Sammy é, acima de tudo, um homem de negócios, e a logística para uma viagem dessas é muito complexa e cara. Mas continuamos na torcida.

Sei que, com esse texto, quebrei a tradição da famosa frase “what happens in Vegas, stays in Vegas”. Mas foi por uma boa causa, não foi?

Links relacionados
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Celebration Day: o fim da escassez do Led Zeppelin
Tungcast#006: Chickenfoot
Tungcast#054: A volta do Van Halen com David Lee Roth
Em defesa de Sammy Hagar, contra o Roth Army
Em defesa de David Lee Roth, contra os Redheads

One Response to “Birthday Bash de Sammy Hagar em Las Vegas”

  1. Érico Salutti disse:

    Grande Edu! Mais uma sensacional viagem e relatos deliciosos. Você é o cara, o maior fã do Vh no Brasil, e um grande amigo! Agora é aguardar notícias da nave mãe VH! Abraços pra você e pro Diogão!