Bailar En La Cueva, Jorge Drexler (2014)

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O som do uruguaio Jorge Drexler poderia ser apresentado como um pop adulto bem estruturado. Suas músicas têm apelo pop, mas longe do pueril. As canções e letras apresentam maturidade. Além disso, os arranjos, instrumentais e timbres são elegantes e bem formatados. Tudo isso pode ser ouvido em seu novo disco, Bailar En La Cueva. Como também pode ser notada a grande – e declarada – influência de música brasileira em sua estética. Não à toa há a participação de Caetano Veloso em “Bolivia”. No novo álbum Drexler explora mais os ritmos, algo não tão presente em seus trabalhos anteriores. Não ouça procurando inovações ou arroubos experimentais: ele está apenas buscando – e conseguindo – fazer boas canções pop.

Por todo o disco se destacam os arranjos. Esqueça aqueles clichês do pop, de violão de aço tocado de cima pra baixo/de baixo pra cima. Não há músicas fofinhas. Muitas vezes, no pop, há o uso de instrumentação óbvia e gritante – para chamar a atenção mais facilmente. Como se fosse uma forma didática de mostra ao ouvinte o que ele deveria notar. Em vez disso, Bailar em La Cueva apresenta sutilezas, dinâmicas, licks de guitarra, violões bem tocados, coros discretos, percussão e sopro. Tudo na medida certa.

O álbum abre com a ótima faixa-título, a união de uma música marcante com tempero rítmico latino. “Data Data” é outro destaque, divertida, dançante, hipnótica e com uma letra que aposta no jogo de palavras. “Universos Paralelos”, de belas melodias, é outro exemplo claro do bom uso de ritmos latinos, com elegância – sem parecer cha-cha-cha ou música de elevador. Há espaço até para um triângulo. Já “Todo Cae” tem arranjo preciso e belo. “La Noche No Es Una Ciencia” é uma escorregada: é um pop mais descarado, destoando do resto do disco. Bailar En la Cueva termina muito bem com Organdí, uma quase balada em que três violões dialogam por todo o tempo. A faixa conta, ainda, com um fim falso.

Como bem notou o compositor Paulinho Moska, somos muito fechados à cultura latino americana; como se achássemos que é uma coisa menor. E isso é um erro. Não por defesa de regionalismos, muito menos porque “precisamos” ouvir latinos. E, menos ainda, porque supostamente deveríamos nos unir contra o “imperialismo” – o que é simplesmente ridículo. Nada disso. Apenas porque há coisas interessantes feitas aqui do lado. A ideia é mais: por que não ter mais contato com a cultura latina? Por que não também ouvir latinos, sem nenhum tipo de caráter exclusivista? A audição desse disco de Jorge Dexler pode ser um bom começo.

Veja o vídeo de Universos Paralelos:

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