Tungcast: 5 anos de geekismo

Nesta comemoração de 5 anos do Tungcast, Rafael Fernandes propôs fazermos diferente. Em vez de gravar um programa contando os bastidores das gravações ― o que já fizemos na comemoração de 2 anos ―, dessa vez o desafio seria escrever sobre. Afinal, em se tratando de internet/sites/blogs/podcasts, 5 anos é uma eternidade. Vamos então investigar o que deu certo (ou errado, depende do ponto de vista) e tentar saber por que ainda estamos aqui de pé depois de tanto tempo. Lembrando, claro, que o Geek Musical está completando simultaneamente 2 anos e a fusão entre os dois projetos completa um ano.

Para começar, são 5 anos de um compromisso que firmamos: falaríamos de música num nível geek e com regularidade. Como isso não é algo em que se possa ambicionar alguma remuneração (ainda mais em tempos de Long Tail), o que ficou combinado desde o primeiro dia ― e nunca precisou ser repetido ― é que, não importa por quais problemas estejamos passando em nossas vidas profissionais ou pessoais, os posts continuariam saindo. Nós é que teríamos de encontrar um espaço em nossas agendas para gravar os podcasts e escrever os posts.

Desde que começamos a pensar seriamente em criar o Tungcast, percebi que eu e o Rafael compartilhávamos concepções e ideais muito parecidos sobre a música. Nossas diferenças estavam (e ainda estão) nos gostos musicais ― o que foi fantástico, pois ajudou a gerar os “confrontos” e pilhar ainda mais os debates. Por exemplo, ambos gostamos de hard rock, mas eu sou da linhagem do Van Halen, ele da do Guns N’ Roses. Ambos gostamos de um progressivo mais pesado, mas eu fico com o Rush, ele prefere o Dream Theater (repare que, sem as “minhas” bandas, as “dele” não existiriam, mas essa é outra discussão ― que até pode render um podcast!). No rock nacional, eu sou Barão Vermelho Futebol Clube, ele joga do time do Paralamas. Mesmo quando o debate sai do rock e vai para outros gêneros musicais, as diferenças continuam. Eu procuro o caminho do jazz, blues e R&B, ele abre trilha pelo pop, MPB e gêneros “extremos”.

Nada disso foi planejado, mas hoje vejo que nos ajudou muito a ampliar o leque de assuntos e diversificar nosso repertório. Outro fator que explica bastante essa longevidade é que nossas competências e personalidades se somam (além de ser a voz da razão por aqui, Rafael é um estudioso em marketing/mercado musical e especialista em todos os aspectos técnicos de edição e gravação dos programas). Com essas forças combinadas, discutimos quais pautas devem entrar, quando fazer promoções, quais geeks devemos convidar a escrever aqui, tudo para tornar o site mais atrativo. É um trabalho feito a quatro mãos, enfim.

Para terminar, uma divagação em cima do tema dessa ultima promoção que fizemos. Qual banda seria o Tungcast? Ou melhor: que dupla musical nós seríamos? Muito difícil pensar nisso. Um ouvinte/leitor sugere o AC/DC (Malcolm e Angus). Se fôssemos nossos ídolos David Lee Roth e Eddie Van Halen (ou Axl e Slash, que seja), certeza que ia dar briga. De qualquer jeito, nessas horas, convém manter os pés no chão. Claro que não queremos ser vistos como o Anvil dos podcasts (nesse caso, prefira o Spinal Tap!), mas gosto de pensar que somos uma banda/podcast no sentido mais idealista, que faz seu som honestamente e que se deixa levar pelo geekismo. Se formos garimpar no rock, o ideal seria encontrar bandas que funcionam como dupla, tipo Ian Astbury e Billy Duffy, do The Cult. Fora do rock ― e com botão “geekismo” no 10 ―, penso no Steely Dan. Nenhuma outra dupla incorpora com tanta maestria o aspecto “uncool” [apud Lester Bangs, em Quase Famosos] como Donald Fagen e Walter Becker.

Enfim, deixo essas especulações para os ouvintes e leitores que nos acompanharam até aqui e para os que estão chegando agora. Só não curtam muito a nossa fanpage no Facebook, senão será um claro sinal de que viramos uma banda pop, nos vendemos ao mainstream e ficamos pasteurizados. Um brinde a todos vocês e que venham os próximos cinco anos!

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