Os 5 jingles mais irritantes da copa

Bem, amigos do Geek Musical… Neste momento, vive um drama a paisagem sonora deste Brasil varonil. Época de Copa do Mundo é sempre tempo de tormenta para geeks musicais. E não é só pelas patriotadas dos ufanistas profissionais que grassam em nossa “pátria de chuteiras”. Também não é só pelos clichês que inundam o setor produtivo, com suas “goleadas de prêmios”. Para ouvidos geeks, o sofrimento maior está nos jingles da publicidade. Abaixo, relaciono os 5 piores jingles/vinhetas/refrões que a “copa das copas” produziu.


5 – Itaú

Há de se reconhecer a esperteza politicamente correta da campanha “Mostra tua força, Brasil”, que aposta na diversidade artística e chama figuras conhecidas do público (mas alheias às mesquinharias da nossa classe artística) para dar algum relevo à música que acompanha o filme. Musicalmente nem é tão ruim, mas para o povão “ir junto com você, Brasil”, era necessário adicionar algumas metáforas futebolísticas simplórias, como “soltar o grito do peito” e “amarrar o amor na chuteira”.

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4 – Música-tema da copa

Um exemplo bem acabado de como o clichê pode estar em tudo, desde as escolhas de ritmos a serem trabalhados, passando pelos temas abordados na letra (que giram sempre em torno de união entre povos, paz mundial, etc.) até à forma como os artistas devem “interpretar” a música. Neste “We Are One – Ole Ola” (nome que dispensa maiores comentários), temos Claudia Leitte junto a Jennifer Lopez (ou “Jêi Lôu”, para seus seguidores no Twitter) e um certo Pitbull que, confesso, só fui saber quem era no dia da abertura (me disseram que ele faz em Miami exatamente o que o Latino faz aqui no Brasil). O resultado, obviamente, é um lixo sônico com alto poder de destruição.

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3 – Coca-Cola

No ímpeto de querer mostrar sua diversidade (mas de outra forma), a Coca-Cola apostou numa mistureba sonora de doer os tímpanos. Um som axé bate-estaca, com samplers em profusão e refrão pop-chiclete que não diz absolutamente nada. Para criar este “sucesso”, a Coca-Cola apenas seguiu a “receita de bolo” do pop: crie uma sequência “lógica” de notas que “combinem” e preencha o vazio com aquele “ô-ô-ô” malandro. Não tem como errar, ainda mais agora, que o “ô-ô-ô” está em consonância com o grito dos estádios. Ou melhor, das “arenas”.

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2 – Globo

Não tem como fugir. Toda copa somos massacrados pelo ufanismo de Galvão Bueno e cia ilimitada. Pior é que não adianta mudar de canal, porque a onda pacheca se alastrou como um vírus ebola. Se a cada copa os jingles vão sendo reciclados e ficam cada vez mais entusiasmados, nesta copa em que jogamos em casa, temos o encontro das águas. Numa vinheta de meros 30 segundos eles conseguiram reunir os piores clichês num só refrão: “eu sei que vou/ vou do jeito que eu sei/ de gol em gol/ com direito a replay/ eu sei que vou/ com o coração batendo a mil/ é taça na raça, Brasil”.

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1 – Mc Donald’s

Para que se tenha ideia da gravidade da situação aqui, essa hospitalidade forçada do “I’m glad you came” é o menor dos males. Duro mesmo é aguentar esse poperô safado dando suporte ao mesmo “ô-ô-ô” estúpido do refrão. O resultado é um “hit” embalado para o consumo, receita que sempre faz a cabeça do público baladeiro/coxinha – mas que para nós, geeks musicais, é pior do que ressaca de Jurubeba Leão do Norte. Faltou pouco para o Mc Donald’s incluir em seus combos as opções de uísque ou vodca com energético.

Então, sobra só uma pergunta: o que fazer num momento tão difícil como esse? Minha recomendação é que você crie uma operação de guerra na hora dos intervalos. Use a tecla “mute” do seu controle remoto, mude para um canal de filmes ou, em último caso, desligue a TV. E não se esqueça: tenha sempre a postos em seu iPod um “playlist D-tox” para situações extremas. Haja coração!

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