Top 5 – Tirinhas rock n’ roll do Urbanóide

Amigos leitores, peço a licença de todos para o momento máximo da cara de pau e da autoindulgência que este site jamais viu. Depois de evaporado o último pingo de vergonha na cara, chegou a hora de fazer o meu jabá saudosista. Para quem não sabe, este geek que vos escreve é cartunista de origem e trabalhou no finado Jornal da Tarde nos últimos 5 anos de vida do jornal. Além da charge diária na página 2 ― e de eventuais colaborações musicais ―, eu publicava também uma tirinha de humor no caderno Variedades. Meus editores me encomendaram um personagem que retratasse a vida urbana, já que o JT cobria os principais fatos da Gotham City brasileira. Daí nasceu o Urbanóide que, grosso modo, refletia bastante jovem urbano e medíocre que fui em meus 20 e poucos anos, às voltas com temas como desemprego, violência, transporte público, namoros, bebedeiras, religião, etc. Dessa forma, era natural que periodicamente eu fizesse algumas séries musicais. Escarafunchando em meus arquivos, fiz o meu top5 de tirinhas dessa lavra. Vamos a elas.

1 – O metal “cartoonish”

Eu até gostava as bandas de hair/glam metal quando moleque, mas nunca levei aquilo muito a sério. Os metalheads oitentistas mais pareciam travecos, com suas maquiagens carregadas, spandex coloridos e cabelos a la Tina Turner. Um horror, mas muito engraçado. As “power ballads”, as “farofadas” e os clichês que marcaram o gênero faziam com que todas as bandas parecessem cópias umas das outras (algo entre o Motley Crue e o Poison). Dá para se divertir até certo ponto, mas depois de um tempo sendo exaurido por aquele hedonismo hiperbólico, o tédio era incontrolável. Que me perdoem os “trues”, mas essa piada eu não podia perder.

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2 – Só Dio salva

A perda de Ronnie James Dio em maio de 2010 foi a única vez em que meu olhos lacrimejaram pela morte de um músico. Se Tony Iommi foi o fundador do metal, Dio foi o professor, o mestre de todos nós (inclusive das bandas e gêneros que derivaram do metal). Foi através de Dio que conheci o gênero e passei a apreciá-lo. Eu já tinha feito uma série de tirinhas com o Urbanóide em altercações religiosas com um padre que tenta convertê-lo, mas isso aqui é outra coisa. Sejamos objetivos: Heaven And Hell é a Bíblia do metal e Ronnie James DEUS é o nosso profeta. Sentimos muito a sua falta. Long live rock n’ roll!

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3 – Jack White, para não-guitarristas

É claro que eu não perderia a chance de cutucar o Edward Mãos de Tesoura do rock e sua turba de seguidores hipsters. Meu ataque foi meticulosamente planejado e executado em três estágios: em meu antigo blog Trágico e Cômico eu parti para a crítica ácida, sem concessões. No Tungcast#056, eu e o comparsa Rafael Fernandes fizemos uma análise mais técnica e equilibrada de sua obra. E aqui nessa tirinha, era deboche puro e simples. Dito de outra forma, os iniciantes que não conseguirem nem arranhar “Smoke On The Water” na guitarra, sempre terão as músicas do Uáite Estráipes para praticarem o auto-engano.

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4 – Da vitrola ao iPod

Quem acompanha o Tungcast, sabe bem que as pautas mais recorrentes aqui são sobre a evolução e a variedade caótica de ofertas e formatos musicais, além das inevitáveis mudanças de comportamento geradas em nós, ouvintes e geeks. No final, tudo se resume ao conflito entre os puristas e os tecnólogos. O fenômeno até poderia ser lido também como um conflito geracional, mas pelo que andei vendo em feiras de vinil, o pessoal mais novo também está voltando aos primórdios e conhecendo melhor as maravilhas do som analógico. Até as bandas novas estão dando uma embalagem vintage a seus produtos e lançando seus discos em formato vinil para os fãs mais hardcore. E o debate continua.

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5 – Emorróidas auditivas

Todos devem se lembrar que a primeira década deste século foi marcada pela moda “emo”, com seu sonzinho anódino e suas letras pueris. Hoje o emo virou nicho e as bandas do gênero continuam fazendo sucesso, mas agora jogam apenas para sua torcida organizada. Naquela época (especialmente entre 2005 e 2008), eles eram a grande novidade do pop/rock e faziam corar os “trues” quando usavam camisas e tocavam covers do AC/DC. Hoje, olhando em retrospecto, é fácil constatar que aquilo foi a banalização final do rock dito “clássico”, trazendo a soldo até das “divas” do pop para gravar seus covers hediondos.

* todas as tirinhas acima foram publicadas no Jornal da Tarde entre 2007 e 2012 e foram coloridas/modificadas para este post

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