Cynic – Kindly Bent To Free Us (2014)

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Para onde vai o rock e, por consequência, o metal? Tentamos discutir isso no Tungcast – O Rock Envelheceu? Também trouxemos o Fagner, do site Music On The Run, para escrever sobre o assunto. Embora seja um tema quase sem fim, eu acredito que o rock virou apenas um estilo musical, com centenas de vertentes. E a banda Cynic entra numa dessas vertentes. Seu som tem pegada de metal progressivo. Mas é maduro e acima da média dos clichês do gênero: tem melodias elaboradas e arranjos muito bem pensados.

É como se a urgência do metal fosse substituída por alguma reflexão. Em vez do esporro sonoro constante, espaço para sutilezas. Em vez da repetição de estrutura, caminhos alternativos. No lugar daquele som “na cara”, dinâmicas. O som homogêneo perde espaço para timbres mais variados. Enfim, uma dose de elegância num estilo que se criou a partir de extremos. A prova é este Kindly Bent To Free Us, lançamento de 2014 que já entra na minha lista de preferidos do ano.

A primeira do disco, “The Hallucination Speak”, já dá mostras de tudo isso: há riffs típicos do metal, um solo matador, a pegada do estilo e até bumbos duplos. Mas também ouvimos melodias interessantes, vocais leves, muitos coros, climas diferentes, uma parte lenta e paradas estratégicas. E um refrão tão enigmático quanto belo. Uma abertura espetacular.

A sequência inicial impressiona. A primeira metade das oitos faixas é impecável. “The Lion’s Roar” tem um riff marcante, clássico. Os vocais seguintes são quase meditativos sobre um groove de bateria e baixo. De novo, outro ótimo refrão. Já a faixa-título começa com uma guitarra limpa que lembra Iron Maiden. Mas só isso lembra a banda de Steve Harris. Novamente, os vocais são o destaque. Uma música midtempo cheia de vai e vem, com um instrumental intermediário com ecos de fusion.

“Infinite Shapes” encerra a primeira metade do disco apostando nos contrapontos. Uma guitarra inicial doce abre espaço para o peso. O refrão contrapõe uma parede de guitarras e melodias de sintetizador de grudar na cabeça. A segunda parte do disco pode não ser tão brilhante, mas mantém o alto nível. “Moon heart sun head” e “Gitanjali” seguem a receita de variações de arranjo e jogo de claro e escuro: ora peso, ora reflexão.

“Holy Fallout” é espetacular, a minha favorita. É como se tudo descrito nos parágrafos acima pudesse ser resumido em uma só canção. O disco se encerra placidamente com “Endlessly bountiful”, uma “balada” épica. Se você procura uma banda de metal que aposte em muito peso e gritaria, fuja do Cynic. Mas se gosta de arranjos bem pensados, com pegada do metal, mas sem se ater a gêneros, tire uma hora do seu dia para ouvir este The Hallucination Speak.

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