St. Vincent – St. Vincent (2014) | Geek musical - para musicólogos e musicólatras / Tungcast - o podcast que debate música em nível geek

St. Vincent – St. Vincent (2014)

St Vincent álbum de 2014

Não me lembro exatamente como, nem quando conheci a música de St. Vincentpersona da cantora, compositora e guitarrista Annie Clark. Esse é um dos problemas da internet: é tanta informação em tão curto espaço de tempo que perdemos referências. Mas me recordo dos discos que ouvi ao me interessar por seu trabalho: Actor (2009) e Strange Mercy (2011). St. Vincent apresenta um pop estranho, idiossincrático, misturando boas melodias a um ritmo meio robótico, programações e rock alternativo.

As guitarras também têm sons particulares, com uso constante de pedais de efeito. Sua bela voz é sempre bem colocada, passando longe dos vocais estridentes de “divas” pop. Assim como o vocal, sua figura passa longe das musas do mainstream: embora também dê bastante atenção ao aspecto visual, não faz o estilo femme fatale. Sua proposta é pouco usual, na linha freak e bem conectada ao som e propostas visuais dos discos.

No início de 2014, St. Vincent lançou seu quarto e auto intitulado álbum (em 2012 ela gravou um disco em parceria com David Byrne, mas estou considerando apenas seu registros autorais, sem participações). É uma obra consistente e acompanha a evolução sonora de seus antecessores. De cara, saltam aos ouvidos as duas faixas lançadas como os primeiros singles: “Birth In Reverse” e, principalmente, “Digital Witness”, a melhor do disco. É um pop seco, direto e diferente. E gruda na cabeça. Veja o vídeo, tão pirado quanto som:

Entre outros destaques estão a abertura “Rattlesnake”, “Regret”, “Huey Newton” (com ar cool e final roqueiro), Psycopath (um power pop de um mundo alternativo bizarro) e as idiossincrasias de “Bring me your loves”. “I prefer your love” é uma escorregada: não é ruim, mas melosa demais – destoa do conjunto. Como nos outros discos, o trabalho de arranjos e gravação é muito bem elaborado. E bastante enxuto: são raros os excessos. Além disso, o clima é árido e elegante, longe da doçura e extremos tradicionais do pop mainstream. Admito que não é um som fácil de digerir numa primeira ouvida, pois St. Vincent faz músicas com pitadas de loucura e neurose. Mas para quem procura um pop menos óbvio, vale a audição.

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