The Police, ao vivo no Maracanã (2007)

Dizem que o mundo é feito de oportunidades. Mas é preciso também estar atento e correr atrás delas. Em dezembro de 2007, recém-chegado ao Jornal da Tarde, perguntei ao amigo Julio Maria (hoje no Caderno2 do Estadão) se o JT mandaria alguém para cobrir o show do The Police, no Rio de Janeiro. Diante da negativa – e com o ingresso já comprado meses antes-, me dispus a escrever sobre o show no dia seguinte e mandar por e-mail, para publicá-lo no caderno Variedades. Assim, no dia 10/12/2007 saiu esta matéria, que se tornaria a primeira de uma série de colaborações musicais que fiz para o jornal. De uma certa forma, foi o meu bilhete de entrada para a crítica musical. O resultado disso – bom ou ruim – é o que você lê hoje neste site. Vamos ao texto:

Vinte e cinco anos depois, o The Police voltou ao Brasil e empolgou o Maracanã na noite de sábado com um espetáculo nostálgico. O estádio foi tomado por 70 mil pessoas e coberto pelo cheiro constante e indefectível da fumaça politicamente incorreta. A produção suntuosa, com telões de alta definição e um som perfeito, era de dar inveja a Bono Vox e já entregava porque esta turnê é a mais lucrativa do ano de 2007.

O público – predominantemente de 30 anos ou mais – viu uma banda coesa mostrar seu rock com influências reggae, punk e ska. A entrada apoteótica de “Message in a Bottle” era o prenúncio de uma grande noite e o que se viu a seguir foi um desfile de hits que atravessou gerações e resistem ao tempo.

O baterista Stewart Copeland (o virtuoso da banda) continua incandescente com suas quebras de compassos. Andy Summers, já um senhor de 64 anos, continua prezando a estética, o timbre a as sofisticadas texturas que saem de sua guitarra. Sting continua pleno no domínio do palco. A comunicação com a plateia foi facilitada pelo português aprendido em sua fase Raoni-Amazônia, que começou com um “Que saudade do Brasil”. Dali em diante ele não economizou, mesmo que carregado de sotaque.

Embora seus vocais ainda estejam em forma, ele sabe que não atinge os mesmos agudos de 25 anos atrás, o que o obrigou a descer o tom e desacelerar o ritmo em músicas como “Wrapped Around Your Finger” e “Next To You”, frustrando algumas expectativas. A ausência de teclados até poderia prejudicar as performances de “Every Little Thing She Does Is Magic” e “King of Pain”, mas não foi sentida e a plateia acompanhou cada nota tornando esses momentos alguns do pontos altos do show, ao lado de “Roxanne” e “Every Breath You Take”, os maiores hits do grupo.

Sting provavelmente não abrirá mão de sua bem sucedida carreira solo, mas soube reconhecer que a fase com o Police foi o seu auge e presenteou multidões espalhadas pelo mundo com esta turnê, que promete ser a última da carreira do grupo. Quem esteve lá, garante ter visto um show inesquecível. Quem não foi, ainda terá uma última chance com o provável lançamento de um DVD.

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