20 Dicas para escrever um projeto cultural – Parte 02 | Geek musical - para musicólogos e musicólatras / Tungcast - o podcast que debate música em nível geek

20 Dicas para escrever um projeto cultural – Parte 02

Continuando o post anterior com dicas para escrever projetos culturais, seguem as 10 dicas finais.

-> O lado do mercado

11) Procure as empresas certas para apresentar projetos

Não saia inscrevendo os projetos em qualquer edital nem tentando apresentá-los para qualquer empresa. Uma peça de vanguarda que apresente nudez dificilmente vai conseguir patrocínio de uma empresa conservadora. Da mesma forma, uma marca que foca público adolescente dificilmente vai patrocinar um filme que retrate a velhice. Pode parecer óbvio, mas na prática, em geral não há esse tipo de cuidado por parte de alguns produtores.

12) A concorrência é forte

É sempre bom relembrar que, por mais que o produtor ou o próprio artista gostem e achem que o projeto é maravilhoso, há uma forte concorrência dos mais variados tipos de projeto culturais. Então, é preciso achar diferenciais para o seu projeto.

13) Pense como um possível patrocinador:

Uma empresa tem, no mínimo, três motivos para investir em cultura:
- abater o valor do imposto investido (se fizer uso das leis de incentivo);
- mostrar que apóia a cultura;
- conseguir visibilidade de marca para um público específico.

Para ter apelo para uma empresa, seu projeto precisa ser interessante e deve passar seriedade, organização e profissionalismo.

14) Como seu projeto compartilha das missões/valores/imagens da empresa prospectada?

Repito: dificilmente uma empresa conservadora vai investir numa peça de vanguarda, a não ser que a intenção seja quebrar seus próprios paradigmas. É fácil de descobrir o que a empresa tenta comunicar. É só ler bem o edital, avaliar os sites, propagandas e demais itens de sua divulgação. Um bom produto cultural para a empresa errada é perda de tempo.

15) Como seu projeto se encaixa nesses quesitos acima?

OK, você fez a lição de casa e descobriu que seu projeto cai bem para as empresas X, Y e Z. Mas quais os atributos do seu projeto que combinam mais com cada uma delas? É na visão geral? No público-alvo? Num segmento? Achando esses pontos, direcione sua apresentação para cada uma dessas empresas destacando o que combina com cada uma delas. Importante: uma proposta de patrocínio customizada para cada empresa faz uma grande diferença.

16) Qual o público-alvo/segmento de mercado da empresa e como seu projeto impacta nele?

Além de entender o que a possível empresa patrocinadora quer comunicar, é preciso entender que público e mercado ela quer atingir. Em geral, é uma combinação de vários itens: gênero (homem ou mulher), faixa-etária (foca em jovens, adultos, idosos?), classe social (ex: busca o luxo ou inclusão), forma que encara a cultura/informação (ex: está sempre atento às novidades ou vai com o fluxo?).

17) O que você fez anteriormente que atesta isso?

Se você já tem trabalhos anteriores que se enquadrem no que a empresa quer comunicar, vale à pena ressaltar. Assim, o patrocinador potencial vai perceber que você não é um aventureiro que está tentando adequar um projeto às intenções da marca, mas já se engajou nisso antes.

18) Todo mundo se impressiona com dados – desde que reais

Já comentei algo disso no post anterior, mas é tão importante que vale outro item à parte. Para qualquer tipo de decisor, dados claros e confiáveis dão de goleada em conceitos genéricos. Uma “base de dados de 2.000 entusiastas de circo, qualificada nos 10 anos da produtora XYZ” sempre vai ser melhor do que “grande base de dados de email marketing”. “Na sua turnê anterior, a cantora Ciclana fez 50 shows para plateias de 500 pessoas” ganha de “turnê muito bem sucedida”. “O renomado produtos americano Fulano De Tal disse que a banda ABC é ‘digna de nota, da vanguarda paulistana’” bate “elogiado pela crítica”; E assim vai.

19) Porque o público deve ter acesso  a seu projeto? Porque deve ir vê-lo?

Se pensarmos na renda de uma família/pessoa, independente da classe social, é possível listar alguns itens básicos de gastos. Por exemplo: alimentação, contas fixas (luz, água, aluguel, condomínio, etc), higiene e “imprevistos”. Se houver sobra, haverá uma divisão entre os mais diversos itens como compra de eletrodomésticos, roupas, lazer e outros. Ou seja, quanto mais supérfluo é o item, menor o gasto (vamos lembrar que cultura é importante, mas não vital quanto comida e as contas de sempre).

Se, ainda assim, uma pessoa tem uma “sobra” para os supérfluos, terá que escolher: roupas melhores, presentes, um novo celular, restaurante, balada, música, teatro, rave, viagens, etc, etc, etc. E a oferta é gigantesca. Toda essa explicação óbvia para chegar ao seguinte: por que alguém deveria gastar seu tempo e dinheiro, itens tão escassos, no seu evento/projeto? Não adianta falar que é “bonito”, “feito com esforço”, muito menos “de qualidade”.

20) Portanto, qual o seu diferencial? O que você tem que o mercado não oferece?

É preciso pensar nisso na própria criação do produto. E é preciso que essa diferença seja comunicada claramente.

O Cirque Du Soleil não poderia se vender como “um circo diferente”. Em seu site, o grupo já chegou a se definir como “uma mistura dramática de artes circenses com entretenimento de rua” (dramatic mix of circus arts and street entertainment). Ou o Jogando no Quintal não poderia dizer que é um “teatro de improvisação”. Mas a frase chave de divulgação é “ um jogo de improvisação feito por palhaços e com toda a ambientação de um jogo de futebol: hino do clube, placar, bandeiras, juiz, jogadores, a torcida e até mesmo um clube fictício: o Clube de Regatas Cotoxó.” É ao mesmo tempo claro e direto, mas nos deixa com aquela pulga atrás de orelha.

Se você diz que é “uma cantora que vai gravar clássicos da MPB” já saiu perdendo. Você tem que ter uma “punchline”, uma frase de impacto que resuma o seu espetáculo, ao mesmo tempo que desperta a curiosidade do seu interlocutor. Para tentar ajudar, defina seu projeto em 2 minutos ou menos. Dessa forma, fica claro para você mesmo o que é realmente importante no projeto. Além disso, vai ajudar bastante numa reunião, para despertar atenção, para encontros de negócios, para explicar a seus amigos e parceiros e etc.

Outros links geeks:

- Para dicas mais avançadas sobre como apresentar projetos a empresas, leia o texto 50 Dicas de Marketing Cultural.
- 20 dicas para bantas iniciantes - parte 01 e parte 02

One Response to “20 Dicas para escrever um projeto cultural – Parte 02”

  1. Maria Sandra Marques da Silva disse:

    parabéns pelo conteúdo apresentado quero me aprofundar mais abraço