20 Dicas para escrever um projeto cultural – Parte 01

Imagem de uma reunião da CNIC, que analisa projetos inscritos no Ministério da Cultura

Trabalhei alguns anos escrevendo projetos para músicos de diversas vertentes. Entre erros e acertos aprendi muita coisa. E percebi que muita gente tem dificuldade em entender o que é a Lei Rouanet e também em formatar um projeto. Resolvi escrever algumas dicas sobre como fazer isso, a partir das dificuldades mais frequentes. Ressalto que tais dicas são apenas para iniciantes: quem pensa em escrever um projeto, mas não sabe como começar. Nessa primeira parte, as 10 primeiras dicas.

-> Conceitos básicos

1) O que é a Lei Rouanet?

É uma lei que permite que empresas e pessoas invistam em projetos culturais abatendo parte desse dinheiro investido de seu imposto de renda devido. A porcentagem desse abatimento varia em relação ao segmento (música popular, clássica, teatro, etc). Para os artistas é uma forma interessante de conseguir verba sem exigência de retorno financeiro – como um mecenato. Deixe a preguiça de lado e leia sobre ela no site do Minc.

2) “Viva, meu projeto foi aprovado na Lei Rouanet!”

Calma. Se seu projeto é minimamente bem feito e não tiver nada de megalomania, é bem provável que seja aprovado pelo Ministério da Cultura sem problemas. Mas isso não significa muita coisa. Apenas que o governo autorizou que você procure empresas/pessoas interessadas em investir. O fato de ser aprovado não significa automaticamente que seu projeto vá sair do papel. A aprovação não envolve dinheiro, é apenas uma autorização para captação de recursos.

-> Escrevendo um projeto

3) Leia com atenção o edital

Pode parecer uma bobagem, mas não é. Se você vai participar de um edital, leia com atenção. Não apenas para saber que documentos precisa enviar ou quais as datas de entrega e encerramento. Mas também para entender o que a empresa procura para patrocinar. Alguns editais podem até ter textos confusos, mas todas as informações estão lá. Alegar desconhecimento só demonstra amadorismo. Assim como escrever um projeto que nada tenha a ver com a proposta do edital mostra, no mínimo, descaso. Se não há edital, pesquise sobre a empresa e que tipos de projetos ela gosta de patrocinar.

4) Seja claro na apresentação e objetivos

Ao escrever um projeto, não enrole – seja objetivo. Pode ser num edital, num documento ou reunião de apresentação: deve ficar muito claro o que é o projeto e quais suas intenções, ações e possíveis resultados. Num edital, são milhares de inscrições. Você não pode correr o risco do avaliador se perder por uma explicação vaga. Numa apresentação ao vivo, é pior: você já penou para agendar uma reunião, não vai querer que o interessado fique entediado.

5) Contextualize sua carreira, ressaltando a importância de sua história

Não é necessário citar tudo, nem ser muito específico. Destaque o essencial:
- O que você fez de interessante que te diferencia de outros no caso específico desse edital/empresa?
- Em que seus trabalhos contribuíram para as pessoas em termos artísticos? E para a sociedade?
- Com quem trabalhou? Escolha não por afeto, mas sim por gente de renome e atividades realmente relevantes. Lembre-se que uma empresa quer exposição.
Detalhe: pega muito mal copiar e colar uma biografia genérica. Vai ficar na cara que foi copy paste e nesse tipo de texto há muita informação irrelevante para o possível patrocinador.

6) Apresente objetivamente e com dados o que você quer atingir

O projeto se trata do que, ou seja, que produto cultural ele é? Quantas pessoas vão participar? Quanto tempo vai durar? Quanto vai custar? Qual é o público alvo a ser atingido? Quantos shows/Cds/ etc serão produzidos? Por quantas e quais cidades esse projeto vai passar? Qual a estimativa em números de público que o projeto vai atingir? Como será o retorno à comunidade? Etc. Cite os resultados pretendidos com o projeto de forma clara e com números. 

7) Conceitos genéricos não ajudam

Dizer que você “é uma cantora diferenciada, que busca a nova expressão da música popular brasileira” não ajuda em nada. Coloque dados (como participações, turnês feitas, etc.) que mostrem que você é diferente e cite fontes de elogios – fontes interessantes, não o jornal de bairro (com todo o respeito).

8 ) Todo mundo trabalha duro e enfrenta dificuldades

Isso não é diferencial.

9 ) Não mendigue!

Não diga que você “precisa” ou “merece”. NUNCA faça nada ligado a isso. É deprimente e anti profissional.

10) Não se engane. Isso é negócio.

As empresas podem ter ótimos projetos de patrocínio e até boas intenções. Mas elas querem exposição e se associam a quem é profissional e vai entregar resultados. No final das contas, seu trabalho é um produto. Veja bem, a criação, ou a “arte” – chame do que quiser – deve permanecer intocável. Mas a partir do momento em que está pronta é um produto e você deve analisar e descobrir quais são os pontos fortes, o que torna você único e ressaltar isso. Além disso, sempre tenha em mente o mantra “o que eu posso oferecer para a empresa” – e não o contrário. Resumindo: seja profissional.

Em breve as 10 dicas finais para escrever um projeto cultural

Outros links geeks:
- Para dicas mais avançadas sobre como apresentar projetos a empresas,
leia o texto 50 Dicas de Marketing Cultural.
- 20 dicas para bantas iniciantes – parte 01 e parte 02

3 Responses to “20 Dicas para escrever um projeto cultural – Parte 01”

  1. juraci lima disse:

    gostaria de receber informação para montar um projeto musical para minha cidade, objetivo tirar crianças das ruas.

  2. Ótimo texto, muito obrigada!

  3. alrilene gadelha disse:

    gostaria de receber informação de como montar um projeto musical para minha cidade, objetivo tirar jovens das drogas.