Feira de Discos de Vinil, em São Paulo

No último dia 1o de dezembro aconteceu a Feira de Discos de Vinil, evento que tem ocorrido regularmente em São Paulo, com expositores de todo o Brasil e a presença das mais importantes lojas e sebos do país. Depois de passar por diversas regiões da cidade, como Perdizes, Vila Madalena, Baixo Augusta, Pinheiros, Centro e Jardins, em sua 17a edição a Feira chegou ao centro da cidade. O local escolhido foi a Galeria Metrópole, que recebeu um público bastante heterogêneo. Colecionadores, músicos, audiófilos, críticos musicais, roqueiros, hipsters, trues… Aficionados de todas as linhagens da nova e da velha guarda estavam lá carregando suas sacolas e bolsas de tiracolo.

A mesma heterogeneidade se reproduziu nos discos. Novos, semi-novos, lacrados, usados, velhos, em ótimo, médio ou péssimo estado, para compra, venda ou troca. Também não havia qualquer restrição a gêneros musicais: pop, rock, blues, soul, jazz, alternativo, MPB, indie, axé, punk, metal, brega. Mais democrático, impossível. No entorno de tudo isso, bares e restaurantes serviam lanches e bebidas, enquanto bolachões rodavam em vitrolas vintage, adornando o ambiente com seu som analógico. E na praça em frente, uma banda executava ao vivo competentes versões de clássicos de blues e rock, como “The Thrill Is Gone” (B.B. King) e “Roadhouse Blues” (The Doors).

Lojas de discos (seja de CD ou vinil) tiveram de repensar seus modelos de negócio nos últimos anos, se quisessem sobreviver. Assim, lojistas da Galeria do Rock na R. 24 de Maio se reinventaram vendendo camisetas de bandas, estampas personalizadas, tattoos, artigos geeks, etc. A Sensorial Discos, que ficou situada lá durante 10 anos, fechou as portas e reabriu recentemente na R. Augusta com um novo conceito de “Cervejas, Cafés e Discos”. “Percebemos que a nossa loja era um ponto de encontro, mas não havia espaço suficiente para conversar nem para beber”, explica Carlos Costa, um dos três sócios da loja e expositor na Feira.

Mas o conceito da Feira de Discos é o de aglutinar esse nicho de mercado, aquecer as vendas e promover escambos. Em meio a tanta oferta e dispersão, expositores faziam de tudo para atrair a atenção do consumidor. A Jack Records estacionou seu Ford Galaxie 1967 na entrada da galeria, lotou seu imenso porta-malas de vinis e tunou o carro com vitrola, caixas de som e luzes. Já na Vi-nil Records, quem comprava, podia escolher algum vinil gratuitamente de uma espécie de “junkbox” com itens encalhados (em meio a discos da Xuxa, Alcione e Benito de Paula, encontrei um do A-ha).

Para fetichistas e apaixonados pelo som do vinil, a Feira de Discos é mais do que um lugar para vender e comprar discos. É um encontro de apaixonados por música, um lugar para trocar informações e gostos musicais. Tanto é assim que o evento está se derivando em outros, como o que aconteceu no último dia 8 no Museu de Imagem e Som (MIS) em São Paulo: o Bazar de Discos & Vitrolas, comandado pela Locomotiva Discos. “As feiras de discos já se estabeleceram. Porém, a demanda por vitrolas também é grande”, diz Marcio Custódio, proprietário da Locomotiva e organizador do evento.

Para se informar sobre as próximas edições, acompanhe o Tumblr da Feira de Discos. Já eu, conforme vocês verão abaixo, terei de ficar afastado desse tipo de evento por algum tempo, devido ao tamanho do estrago que causei ao meu bolso…

Para todos os gostos e ritmos

Abaixo, relaciono as minhas compras, onde o critério que adotei foi 1) estado do vinil; 2) memória afetiva e 3) preço.

Arrematados por R$ 10: Regatta de Blanc (The Police), Big Generator (Yes), Skyscraper (David Lee Roth), Diesel and Dust (Midnight Oil), Na Calada da Noite (Barão Vermelho) e a trilha sonora de Full Metal Jacket. Vale lembrar que Graceland (Paul Simon) saiu por R$ 5 e Wide Awake In América (U2), Carnaval (Barão), O Tempo Não Para (Cazuza) e Every Breath You Take (The Police) ficaram por R$ 15.

Memória afetiva a R$ 20: com Diver Down, completei minha coleção de Van Halen; com Power Windows, Caress of Steel e Roll The Bones, estou avançando na coleção do Rush; arrematei dois do Miles Davis em diferentes fases (Tutu e In a Silent Way) e comprei meu primeiro do Creedence (coletânea) e do Bowie (Let’s Dance). Já o World Wide Live (Scorpions) saiu por R$ 25, mas é duplo.

Achados e vendidos: vinis de bandas clássicas como Black Sabbath, The Doors, Pink Floyd e Led Zeppelin são considerados artigos de alto valor nesse mercado. Os relançamentos estão a preços proibitivos e, dos velhos, é bastante difícil achá-los em bom estado e a preços razoáveis. Para minha felicidade, encontrei Vol.4 e Mob Rules a R$ 30 cada; L.A. Woman e Houses of The Holy a R$ 35 cada; The Wall (duplo) a R$ 40 e Physical Graffiti (duplo) a R$ 50. Também nessa faixa de preço, tirei dessa lista itens preciosos do R&B, como Thriller (MJ), Breezin’ (George Benson) e Innervisions (Stevie Wonder).

Lacrado: minha única aquisição dessa série nova de vinis que virou fetiche de geeks e colecionadores foi Composite Truth, álbum mais importante da banda funk novaiorquina Mandrill. Apesar das embalagens luxuosas, de seus encartes generosos e seus 180 de gramatura, o desafio desses relançamentos para o mercado consumidor tem sido o preço alto, variando entre R$ 80 e R$ 180. Mas este disco eu encontrei por honestos R$ 60 (outra dica nesse nicho de relançamentos é o site gringo Pop Market, que periodicamente oferece boas promoções – o problema ali é o prazo de entrega).

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5 Responses to “Feira de Discos de Vinil, em São Paulo”

  1. eu tenho uma vitrola italiana e disco italianos gostaria de vender.

  2. Augusto Severo disse:

    Muito legal esse tipo de feira! Primeiro disco do Creedence Clearwater Revival? Estou a espera do poadcast do CCR.

  3. Simone Freire disse:

    Gostaria de saber onde será as próximas feiras de vinil em SP e os locais! Obrigada