20 dicas para bandas iniciantes – Parte 2 | Geek musical - para musicólogos e musicólatras / Tungcast - o podcast que debate música em nível geek

20 dicas para bandas iniciantes – Parte 2

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Aqui vão as 10 dicas finais para bandas iniciantes que querem levar seu projeto a sério. Veja a parte 01 neste link.

20 dicas para bandas iniciantes – Parte 2: mercado e comportamento

11) Você está no negócio pela música, pela exposição ou para ganhar dinheiro? Até certo ponto, não há nada de errado em nenhum dos três. Mas cada um deles deve ser encarado com diferentes abordagens. Como este site se chama Geek Musical, espero que você tenha entrado nessa, primeiro, pela música. Se for esse o caso, proteja sua criação e suas crenças a qualquer custo. Sua música é seu diferencial, sua vida. Tendo isso em mente, se as coisas começarem a acontecer, não tenha vergonha de ganhar dinheiro. Não há nada de errado e você trabalhou, e muito. É muito fácil ter ideologia com a vida dos outros. Ninguém decide por você, nem paga suas contas, muito menos arca com as consequências de suas escolhas. Seu suor, seu dinheiro, sua vida.

12) Marketing é uma ferramenta para destacar seus diferenciais, e não para mudar o que você é. Um dos maiores erros sobre marketing é de que ele supostamente mudaria o cerne de um artista, que se tornaria uma versão plastificada e caricatural de si mesmo. Isso é um equívoco crasso – tanto de quem não quer usar nada de marketing, como de quem usa errado. O marketing deve ter a ver com a proposta da banda, reforçar isso.  É apenas um conjunto de ferramentas para te ajudar a divulgar, vender e comunicar sua banda. Não é santo milagreiro, muito menos gênio do mal.

13) Ouça alguns poucos; ignore a maioria. Muito se fala: “não ouça os outros, siga seus sonhos!”. Na verdade, você deve ouvir, sim, algumas pessoas. As que importam, as que tenham conhecimento de causa e que estejam interessadas em te ajudar – de fato – de alguma forma. Saiba filtrar, absorver o que foi falado e entender se há ou não algo de útil naquilo. Daí, siga em frente. Ouvir e observar também trazem grandes aprendizados. Mas esqueça os cínicos, em especial da internet. Aqueles que só sabem apontar dedos e querem determinar o que supostamente é certo e errado – em geral descartando qualquer coisa em apenas uma frase irônica. Mas que raramente fazem algo de concreto ou conhecem de fato sobre o assunto falado. Eles estão em grande número, assustam de inicio, mas são irrelevantes. Para esses, só uma solução: ignorar.

14) “Todo mundo” NÃO QUER ouvir sua música. “Ninguém se importa com você”, já disse Seth Godin. Por isso ele é um dos autores mais lidos na internet. Mas não tome essa frase de forma literal, muito menos pessoal. O que ele quis dizer é que: 1) Você deve CONQUISTAR a atenção das pessoas com algo realmente relevante e 2) A maioria das pessoas não quer ouvir nada de você; sua função é achar quem queira e ir atrás de mais gente desse tipo. Um jornalista ou um empresário da música têm centenas de coisas para fazer e dezenas de discos para ouvir. O seu é só mais um. Idem os ouvintes. Ninguém tem que ouvir sua banda; sua banda é que tem que ser boa o suficiente para chamar atenção.

15) Haja! Pés no chão, mão na massa e sacrifícios. Trabalhe muito, corra atrás, conheça pessoas. Não existem milagres nem atalhos – em nenhuma profissão. Observe, replique e melhore o que dá certo e descarte o que dê errado. Tente de outras formas. Evolua. Estude marketing e negócios. E não se esqueça que os melhores trabalhos de nossas vidas requerem sacrifícios. Não dá para fazer tudo. Em algum momento, você vai ter que fazer escolhas – algumas mais fáceis, outras difíceis. Portanto, aprenda desde cedo a diferenciar o que importa na sua vida e o que é descartável – ou não prioritário. O que vale mais: um ensaio para show ou happy hour com os amigos? Economizar para mandar fazer CDs de divulgação no ano que vem ou trocar de celular agora? Usar o fim de semana para terminar sua demo ou viajar para a praia? Suas respostas a perguntas como essas definem sua carreira. E é difícil determinar o certo e o errado. O que existem são escolhas feitas e suas consequências. Ah, e não esqueça de se divertir no meio do caminho. ;)

16) Pare de culpar os outros. Culpar os outros pelas dificuldades é a forma mais fácil de não agir, de procrastinar – e de ser um babaca. Tudo é difícil para todo mundo, você não é especial só por fazer música. A vida é assim e talvez não dê certo. Mas só se você trabalhar e experimentar pode saber o que acontece.

17) O médio não se destaca. Se todo mundo faz, é médio. Todo mundo coloca discos na internet, usa rede sociais, faz o superficial e reclama da vida. Qualquer um faz uma música em cinco minutos. Sua função é se destacar, fazer algo de diferente, ir fundo, insistir, fazer o que a maioria não faz. Para um vendedor, é muito fácil mandar um email genérico para um potencial cliente. Mais difícil é estudar sobre esse cliente, se planejar e ligar com frequência, com informações realmente relevantes para ele, até achar uma brecha. Para um músico iniciante que quer se profissionalizar, o médio é lançar uma música e esperar que tudo aconteça por inércia. Difícil é estudar sobre marketing, negócios, mercado; fazer dezenas de música e melhorar cada uma delas; ligar para potenciais parceiros, criar conexões, receber dezenas de “não”, etc. Se você não sabe por onde começar, estude. Em caso de dificuldades, procure, também, inspiração em outras áreas. Nem tudo é sobre música. Pode ser em áreas como terceiro setor, esportes, artes, tecnologia, etc. Criatividade, inovação e grandes trabalhos estão nos mais variados lugares. É só procurar e olhar certo.

18) Fuja de aproveitadores e puxa-sacos. Grandes bandas acabaram por gente desse tipo. Por mais incrível que pareça, quando você está no começo, também pode trombar com um deles – embora em menor escala. Essas pessoas, em especial os aproveitadores, são apenas sanguessugas – sugam o seu melhor trabalho em benefício apenas deles. Com argumentos espúrios como “falta de dinheiro”, “troca de divulgação”, “rede de contatos”, “linkbuilding”, “coletivismo”, “projeto de longo prazo”, esses seres mais próximos de baratas do que de humanos vão te usar e te jogar fora como um cigarro compartilhado. Saiba diferenciar quem quer te ver avançar de quem quer se aproveitar do que você conquista.

19) Não espere o papai Estado te bancar. No final, tudo vira política e jogo de interesses. E você fica preguiçoso e viciado em editais. Não tenho nada contra lei de incentivos, mas aqui no Brasil ela ficou dispersa. E a obsessão com apoio estatal cria uma impressão a meu ver errada de que o Estado deveria bancar artistas. E eu acho que o artista deve ficar o mais longe possível dele. O grande artista não tem rabo preso com ninguém.

20) Achou tudo muito cansativo? Mude de área. É a dica final: se você achou tudo isso muito para a cabeça, ou chato, então você não quer tanto assim ter uma banda. Leia qualquer biografia de uma grande e duradoura banda e entenda melhor, com exemplos reais, o que foi escrito aqui. Até as bandas mais farristas batalharam muito – em especial no auge. Sabiam muito bem que a hora do trabalho era a hora de ralar.

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