Encontro com Michael Anthony

> por Eduardo Pinheiro

Este ano realizei um sonho: recebi presentes pessoalmente das mãos de Michael Anthony. Mas essa saga não foi tão simples. Começou no final de 2009, quando foi lançada uma promoção no site oficial do baixista mais gente fina do rock. Quem atingisse um certo valor em compras na loja oficial concorreria a prêmios. Três pessoas foram sorteadas, e recebi um e-mail do Brad Starks (webmaster do site) informando que eu era uma delas. O prêmio incluía alguns itens interessantes, como uma miniatura do baixo personalizado com o logo do Chickenfoot, palheta, foto autografada por todos os membros do Chickenfoot e um cabeçote de um amplificador. Fiquei muito animado.

Passaram-se alguns meses, e nada de eu receber o tal pacote. Insisti algumas vezes, até que em julho de 2010 Brad Starks me mandou um e-mail informando que o frete do amplificador custaria 600 dólares e que eles não poderiam enviá-lo ao Brasil nessas condições. Em contrapartida, me ofereceu um prêmio dividido em duas partes. A primeira eles enviaram no final de 2010, que era uma caixa com todos os itens que ganhei no sorteio e mais algumas surpresas bem interessantes. A exceção era o amplificador, que viria na segunda parte e seria entregue pessoalmente pelo Mike em um show do Chickenfoot (ou qualquer outro que tivesse a participação do Mike). Ou seja, ou eu teria de viajar para os EUA ou esperar por uma turnê do Chickenfoot na América do Sul. Infelizmente, a turnê do Chickenfoot III em 2011 foi muito curta e não veio para cá.

A partir daí comecei a pesquisar sempre que algum show era anunciado, para ver quando eu poderia viajar. Finalmente este ano consegui uma oportunidade, e fui ver o show do Sammy Hagar em San Francisco, no dia 07/09/2013. Esse show fez parte da turnê “Four Decades of Rock”, que celebra os quarenta anos de carreira do Sammy. Além do Michael Anthony, o show teve a participação da banda do Sammy, os Waboritas, e de dois integrantes originais da banda Montrose: Bill Church (baixo) e Denny Carmassi (bateria). Eu até poderia esperar por uma turnê do Chickenfoot no próximo ano, mas eu preferi esse show do Sammy.

Antes do show, me encontrei com o Brad Starks e fomos para o backstage. Toda a galera estava sabendo da minha história, e a medida que ele ia me apresentando, as pessoas comentavam: “Esse é o maluco que veio do Brasil?” Ficamos aguardando até a chegada da banda para a passagem do som. Quando o Mike me viu, deu um grito: “EDUARDO!”, e me deu um abraço. Conversamos por alguns minutos, ele me mostrou alguns baixos dele e aos poucos meu nervosismo foi passando. Ele fez a passagem de som, e depois veio me entregar o amplificador (que é gigante, por sinal) e mais alguns presentes: várias palhetas, um molho de pimenta “Mad Anthony’s Hot Sauce” autografado, e um CD do Chickenfoot autografado também.

À esquerda, o momento do autógrafo; à direita, o arsenal do Mike

O Mike assinou o ampli, e depois perguntei se ele poderia assinar meus encartes. Ele ficou meio desconfiado, e disse um “Ok” meio desanimado. Quando tirei os encartes da mala, ele se assustou com a quantidade, e até brincou que se assinasse tudo não poderia tocar depois. Acabou assinando tudo, incluindo os singles, mas sem nenhuma dedicatória.

Depois ele me disse por que não se animou muito antes de assinar. As palavras dele foram: “Eduardo, para ser sincero, quando você me pediu para assinar os CDs, eu achei que você traria vários CDs iguais, e depois poderia vender isso em algum lugar, mas agora vi que isso tudo é da sua coleção particular, e fiquei feliz em assinar tudo.” Eu disse a ele que nunca faria algo desse tipo, ainda mais para uma pessoa como ele, que dá tanta atenção aos fãs, e os respeita como ninguém. Ele ficou feliz com o comentário, e me deu um abraço.

O Sammy não participou do soundcheck, e chegou quase na hora do show. Infelizmente não foi dessa vez que eu consegui falar com ele. Fui assistir ao show da plateia, utilizando o ingresso que recebi. Foi maravilhoso, com muito Van Halen no setlist: “Right Now” (acústico, sem o Mike), “Why Can’t This Be Love”, “Best of Both Worlds”, “When It’s Love” e “Finish What You Started”. Nos intervalos das músicas, o Sammy conversava com o Mike, e contava algumas histórias dos dois. Ele comentou que quando chegou ao camarim para o show, encontrou duas garrafas de rum e tequila vazias. Quando ele perguntou para o pessoal por que elas estavam vazias, alguém comentou que viu o Mike passar por lá. O Mike brincou, fingindo que não sabia de nada. O clima entre eles é muito bom durante os shows, e dá pra perceber a felicidade deles ao tocarem juntos.

Four Decades of Rock: Sammy Hagar, Michael Anthony, The Waboritas e Montrose num só show

Depois do show, voltei a me encontrar com o Brad para buscar meus presentes. Se o ampli é grande, a caixa é bem maior. Acabei voltando de trem pro hotel, pois não achava nenhum táxi na rua. Imagina a cara das pessoas me vendo com aquela caixa. Ninguém estava entendendo nada. Felizmente, na hora de voltar para o Brasil, coube tudo em uma única mala e minha coleção de Van Halen/Chickenfoot/Sammy/Dave ganhou mais alguns itens.

Ser colecionador dá muito trabalho, mas também rende boas histórias.

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Tungcast#054: A volta do Van Halen com David Lee Roth
Em defesa de Sammy Hagar, contra o Roth Army
Em defesa de David Lee Roth, contra os Redheads

3 Responses to “Encontro com Michael Anthony”

  1. Eduardo Pinheiro disse:

    Obrigado por postarem meu relato dessa experiência incrível. Essa foi mais uma etapa da minha saga “vanhalenística”. Espero ter mais histórias para contar em breve!

  2. Lucindo Tomiosso Jr disse:

    Sensacional Edu, sou seu fã. Num próximo VH Meeting tem que nos mostrar esses presentes. Abs.