Nine Inch Nails – Hesitation Marks (2013) | Geek musical - para musicólogos e musicólatras / Tungcast - o podcast que debate música em nível geek

Nine Inch Nails – Hesitation Marks (2013)

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Hesitation Marks (2013), novo álbum do Nine Inch Nails, é o primeiro lançamento de inéditas de estúdio desde The Slip (2008). Depois da turnê de promoção do disco, Trent Reznor, que é o Nine Inch Nails, resolveu parar o trabalho do grupo por tempo indeterminado. Apesar de não prometer volta, era esperado que essa pausa fosse apenas provisória – como de fato foi. Aliás, cinco anos entre um disco e outro não chega a ser um absurdo. Na produção do álbum, Reznor volta a contar com seus fiéis parceiros Atticus Ross e Alan Moulder.

O disco anterior, o ótimo The Slip, era mais cru, mais para o rock, baseado em banda, cheio de guitarras e com distribuição gratuita. Já este Hesitation Marks é cheio de detalhes, mais para o eletrônico, com sons sintetizados, bateria eletrônica e distribuição tradicional, via pagamento. Mas não tão tradicional: as quatro formas de distribuição (digital, CD, vinil e edição especial) apresentam uma capa diferente cada. Um item que permeia todos dos discos do Nine Inch Nails – e está caprichado neste novo lançamento – é o apuro sônico. Cada elemento sonoro é muito bem colocado, muito bem trabalhado. Diversas texturas de som vão se costurando, se encaixando à procura de uma experiência musical completa e ideal.

Já a temática de letras do Nine Inch Nails é permeada pela obsessão, erros cometidos, procura pela redenção, clima sombrio e melancolia. Não espere ouvir alegria. A maioria das músicas traz esse tipo de temas, mesmo que não diretamente tratando de dramas humanos. Ou quando aborda as letras de forma nonsense, como se descrevendo um pesadelo bem obscuro. “Copy of A”, o segundo single e segunda música do álbum (primeira de fato, já que a faixa de abertura é quase um prelúdio) é um indicativo: “Sou apenas uma cópia de uma cópia de uma cópia, tudo o que eu digo já veio antes”. Musicalmente, a canção já direciona o caminho do álbum: sons sintetizados e bateria eletrônica. “Came Back Haunted”, a terceira música, o primeiro single lançado e que contou com clipe dirigido por David Lynch, mantém o conceito musical e de letra, com um clima de thriller sinistro, assim como os filmes de Lynch: “Eles colocaram algo dentro de mim / O sorriso é vermelho e os olhos são pretos / Eu acho que não vou voltar”.

Veja o vídeo de Come Back Haunted, com direção de David Lynch:

“Find The Way” é um dos grandes destaques do disco. Uma balada clássica Nine Inch Nails, reflexiva e cheia de climas. “All Time low” fecha o impecável quinteto inicial do disco, com uma batida seca, belo jogo de guitarras e refrão viajante. A partir daqui, o álbum começa a ficar um pouco irregular. “Various Methods Of Scape” e “I Would For You” conseguem unir muito bem elementos eletrônicos com canções marcantes. Já músicas como “Disappointed” e “Running”, para o meu gosto vão fundo demais num eletrônico árido. Aí vai do gosto do freguês escolher suas preferidas. Apesar disso, é um disco bem montado, que não se encerra em algumas poucas audições. Pode assustar na primeira ouvida, mas nas seguintes vamos entendendo a proposta e identificando novos detalhes. De repente, descobrimos alguma música que não demos muita atenção antes. No meu caso descobri “In Two” e “While I’m Still Here”.

Por isso, é interessante saber do próprio Trent Reznor sobre o disco. Em entrevista para a Rolling Stone em julho de 2013, ele deu algumas indicações certeiras sobre como seria Hesitation Marks: elas se concretizam na audição. Ele diz que o álbum soaria “mínimo e esparso” – e é exatamente assim que o disco soa, com poucos elementos. Ele também afirmou: “Não acho que é um disco gentil. Acho que é mais subversivo”. E ele, novamente, tem razão. Embora não seja um disco agressivo de cara, nem sonoramente, é um disco denso, escuro, obscuro, como se estivesse pesquisando o subsolo de alguma mente ou mundo bizarro.

E, no nível pessoal, as palavras de Reznor parecem indicar que ele quis fazer um contraponto com o Trent Reznor do clássico The Downward Spiral, de 1994: “Eu ainda sou aquele cara e eu sinto por ele. Eu não me ressinto dele, não sinto falta dele. Mas como as coisas seriam sentidas no outro lado daquilo agora, num lugar muito mais estável de vida, mental e fisicamente, e com uma nova família?”. Esse lado poderia ser representado, de certa forma, na já citada “Find My Way”: “Você nunca deveria ter visto todas essas coisas dentro de mim / Agora que você se foi, estou apenas tentando achar meu caminho”. Por tudo isso, se você tem interesse no som do Nine Inch Nails, vale à pena mergulhar em Hesitation Marks.

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