Os geeks musicais e suas coleções

Musée McCord Museum

Todo geek tem uma tendência ao colecionismo – o que pode ser chamado por pessoas próximas de “juntar tranqueiras”. São coisas que tomam boa parte do salário dos geeks. Pode ser procurar por itens do Star Trek, ter action figures ainda na embalagem, conseguir todas as edições lançadas de Blade Runner; tem o fanático por livros em geral ou edições especiais e etc. Com os geeks musicais não é diferente: pode ser ter camiseta de música, correr atrás de todo e qualquer lançamento de uma banda específica, comprar posters, livros, CDs, vinis, etc. Ou tudo isso ao mesmo tempo. E cada uma dessas coleções vem acompanhada de diferentes tipos de perfis de comprador. Um exemplo é o caso dos vinis. Para mim, seus colecionadores podem ser separados em cinco categorias – que são representativas para os demais colecionismos:

  • Hipster: é o cara que vai na onda do momento. Tem vitrola e discos só porque é cool. Posta sempre fotos no Instagram, dos mesmos discos, em geral de bandas da moda;
  • Xiita: só ouve vinil e acha que todas as outras opções de áudio são lixo;
  • Memória afetiva: aquele que ouve vinil desde sempre, adora um chiadinho, vive dizendo que antigamente é que a música era boa e vibra com o retorno do vinil. Provavelmente tem acumulado ao longo do tempo uma bela coleção. Nem sempre está interessado em pesquisa, pode até ouvir CD e MP3 pela praticidade, mas não abre mão do seu LP.
  • Fetichista: esse é meu caso, pois nem tocador eu tenho. É quem coleciona mais pelo objeto, procura edições especiais e raras. Gosta mais do objeto do que do som particular do vinil.
  • Pesquisador: aqui temos o colecionador de vinil mor. É aquele que não só é aficionado por vinil, mas que corre atrás de discos raros, que sequer foram lançados em CD – quiçá em MP3. Pode estar nessa mais pela coleção em si do que pelo som, mas o pesquisador clássico não faz essa diferença: vai atrás pela coleção *e* pela música. Os pesquisadores estão representados num post que fiz sobre site Dust & Grooves, que “caça” colecionadores de vinil pelo mundo.

(Geek, fique à vontade para adicionar mais categorias)

E como já escrevi no post acima citado, se não prestarmos atenção em nossa coleção, ela pode virar uma obsessão cega e até uma mera acumulação de itens sem valor. Na minha coleção de CDs, procuro mesclar praticidade ao emocional. Tento não me apegar muito a objetos, mas nem sempre é possível. Afinal, alguns discos são como fotos antigas: não somos mais nada daquilo, mas alguma sensação muito especial nos faz guardá-los. Por isso, ao pensar nas minhas coleções, tento levar em conta três fatores na hora de me organizar e escolher o que fica e o que sai:

  1. A coleção deve ser valiosa: em geral isso está ligado ao emocional: um disco memória afetiva ou por gostar muito daquele lançamento. Também deve estar em boas condições de uso;
  2. Deve ser utilizada com frequência: os discos devem ser ouvidos. Se a coleção não é usada, é apenas uma junção de objetos inanimados sem valor;
  3. Deve ser constantemente ser renovada: a coleção deve sempre se reciclar – entram uns, saem outros. É claro uma coleção tende sempre a crescer ao longo do tempo, pois sempre compramos mais do que nos desfazemos. Mas uma boa coleção tem algo de frescor, de movimento: itens ultrapassados devem dar lugar a gostos mais recentes.

E você, geek musical, tem alguma coleção? Como se relaciona com ela?

Outros links geeks:
- Yesterday & Today Records: um sebo de vinil em Miami
- Dust & Grooves – um site sobre colecionadores de vini

One Response to “Os geeks musicais e suas coleções”

  1. Minha experiência com coleções é traumática, comecei com meu primeiro salário comprando um cd do Aerosmith – Get a Grip, era aquelas caixas compridas de cd parecida com dvd, acho que era importada, esse cd se perdeu nos empréstimos da vida, futuramente, acumulei cds de metal, principalmente do Judas Priest, os guardava em caixas de sapato, essas tres caixas foram furtadas numa festinha em minha casa e nunca foram encontradas, ai entrei numa de vinil, herdei uns de meu pai: coletâneas do Queen, Beatles, Motown… e ele me revelou que no sótão da nossa antiga casa tinha mais de 100 discos que iam desde trilhas de novelas dos anos setenta até samba, a ansiedade me levou a incomodar a inquilina e subir no sótão, me deparei com caixas de papelão cheias de discos, desci sujo e feliz até descobrir que 95% do acervo estava empenado devido ao calor do sótão, entre os sobreviventes estava Hysteria do Def Leppard que veio a se tornar um dos meus albuns preferidos,não tenho como escutá-los por falta de vitrola, hoje devo ter uns 20 discos , e não muito mais em cd, um hd repleto de mp3 e uns 7 cases de dvds gravados por mim, não me apego à memorabílias e as camisetas de bandas eu abandonei, raramente quando sobra dinheiro visito alguns sebos na esperança de achar algo que me chame atenção, já comprei umas rock brigades antigas mas acabei descartando, acho que eu não me enquadro em nenhuma classificação… i’m a misfit!