Tomahawk – Oddfellows (2013)

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Tomahawk é uma banda composta por Duane Denison (guitarra), Mike Patton (vocais) e John Stanier (bateria). Em 2012, o trio incorporou um velho amigo de Patton, Trevor Dunn (ex-Mr Bungle), substituindo no baixo o músico Kevin Rutmanis – que saiu da banda em 2007. O grupo se formou em 2000 e tem quatro discos de estúdio lançados: Tomahawk (2001), Mit Gas (2003), Anonymous (2007) e Oddfelows (2013). O som poderia ser resumido como um rock alternativo básico. É rock, é cru, mas longe do mainstream ou rock de arena – tem mais a ver com a garagem. Apesar disso, o resultado sonoro e os músicos envolvidos tem muito mais qualidade do que sujeira de moleques. Importante lembrar: apesar de não avacalhar, é um rock que não se leva muito a sério. O Tomahawk é visto como mais um dos projetos de Mike Patton. Mas notamos que o som da banda tem a forte presença do guitarrista Duane Denison, ex-Jesus Lizard. A ideia sonora do Tomahawk lembra bastante a de sua ex-banda. Em especial por causa da abordagem única que ele aplica em seu instrumento. Nada de distorções muito sujas ou só power chords de duas notas. Denison opta por distorções mais cruas, uso de acordes interessantes e sua mão direita abusa da rítmica e do uso de cordas abafadas. Mas é inegável que o vocal de Mike Patton ajuda a dar um toque diferenciado.

No início de 2013, o Tomahawk lançou o seu quarto disco de estúdio, Oddfellows, um álbum consistente. Apesar de ter o rock que é a cara do grupo, pode ser considerado seu disco mais acessível. Um passo natural depois do experimentalismo de Anonymous, que tinha música baseadas em canções tradicionais de índios americanos. Isso fica claro com a primeira faixa lançada como single, “Stone Letter” (que não foi tocada no show recente que o grupo fez aqui no Brasil): uma música direta, melódica e com belo refrão. Um grande momento do grupo, é acessível sem ser apelativa. E é uma boa amostra do som único do guitarrista Duanne Denison: note na introdução da música a distorção crua, o trabalho de mão direita e os tais acordes abafados.

Veja o vídeo de Stone Letter:

“I.O.U” poderia ser caracterizada como uma balada bizarra. Uma música de amor com pimenta Tomahawk. O título soa como “I owe you”, ou “Eu te devo”. É a primeira frase da música: “Eu te devo uma canção de amor, por tudo que fiz de errado”. Apesar do que pode parecer, está longe de ser o que se espera da frase: o som é torto e enigmático, e a letra cheia de intenções dúbias, cheias do humor bizarro de Mike Patton. Mas se você quer conhecer o básico do som do Tomahawk, vá direto a “White Hats/Black Hats”, uma das melhores de seu catálogo. Curta e grossa, com boa presença de baixo e bateria, a guitarra discreta e precisa de Duanne Denison e o vocal ora melódico, ora gritado, ora falado de Mike Patton. Dê play e aumente o volume! “South Paw” é outro destaque, embora mais para o lado bizarro do Tomahawk, com várias viagens sonoras. O disco tem outras ótimas músicas, como “Oddfellows”, “Rise Up Dirty Waters”, “I Can Almost See Them”, “Choke Neck” e “Waratorium”. Se você quer conhecer o som do Tomahawk, pode ouvir este Oddfellows sem erros: o álbum talvez não vá tão fundo nas idiossincrasias do grupo – está mais para um rock direto. Mas, por isso, é uma boa: se você não gostar de Oddfellows, dificilmente vai gostar dos outros.

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