Três grandes gravações de baixo no rock – parte 01

O baixo elétrico é um instrumento subestimado na música, em especial no rock. As atenções quase sempre estão nos vocalistas e guitarristas. Ainda mais por conta da mística criada em torno de suas parcerias, como Jagger/Richards, Page/Plant e tantos outros. Até os bateristas tem seu destaque, por conta de craques como Neil Peart (Rush) e líderes como Mike Portnoy – que por anos comandou as ações do Dream Theater. À exceção de alguns nomes, como Steve Harris, a mão de ferro do Iron Maiden, os baixistas acabam – injustamente – deixados um pouco de lado. Para tentar ajudar a minimizar esse fato, pretendo escrever alguns artigos sobre o instrumento. Hoje, escolho três entre minhas gravações de baixo preferidas.

 1) Yes – Roundabout

“Roundabout” é um dos clássicos do Yes, do também clássico álbum “Fragile” (1971), o quarto do grupo. A música começa com uma breve peça de violão de Steve Howe. Como em tantas grandes músicas progressivas, é um anti-climax que esconde a porrada que vem a seguir. A canção explode e a primeira coisa que vem à tona é a patada do baixo, bem na nossa cara. É uma gravação de contrabaixo que tem peso, levada suingada e virtuosismo – e soa arejada. Chris Squire dá ainda mais dimensão para seu inseparável Rickenbacker. A linha melódica principal que ele criou gruda na cabeça. Como os outros exemplos a seguir, é uma aula de baixo: saber quando segurar a mão e só dar peso à levada, e quando colorir a música sem exageros. E mostra o quanto são importantes um ótimo arranjo e um instrumentista de primeira: a música é de Jon Anderson e Steve Howe, mas o baixo de Chris Squire é um dos grandes destaques dessa gravação antológica.

 Veja também a gravação isolada do baixo:

2) Queen – Bicycle Race

John Deacon é um dos músicos mais subestimados do rock – ainda vou escrever sobre isso. Ele compôs hits como “I Want To Break Free” e “You’re My Best Friend” e criou riffs marcantes como “Under Pressure” e “Another One Bites The Dust” (esta última ele também compôs). Além disso, tocou linhas de baixo inspiradíssimas. “Bicycle Race”, do disco Jazz (1978), é uma delas. A música é mais um grande momento de Freddie Mercury (também seu autor), cheia de coros e mudanças de andamento, e tem outro solo magistral de Brian May. É quase irresistível ouvir apenas as atuações de Mercury e May. Mas vale à pena prestar atenção no contrabaixo. A música, conduzida pelo piano, ganha força e dimensão com a atuação de John Deacon – que acompanha de forma linda a linha melódica da voz e do piano. Quando a canção ganha peso, Deacon segura a onda e encorpa a base. Note também os detalhes que ele vai incorporando à música: eles fazem toda a diferença.

 

3) Beatles – I Want You (She’s So Heavy)

Uma grande música de amor de John Lennon (inspirada, claro, em Yoko Ono), do disco Abbey Road (1969). Intensa, dramática e exagerada, como toda grande paixão. A música tem toques de progressivo: dura quase oito minutos, tem diferentes partes, solos de teclado, grandes vocais, dinâmicas diversas, mudanças de andamento e um final abrupto. Mas precisamos notar a atuação de Paul McCartney. Além de compositor lendário e ótimo cantor, é um grande baixista. Em “I Want You (She’s So Heavy)” ele desfila bela variedade de linhas de baixo. No começo, ajuda a segurar o ritmo; flerta com o virtuosismo na parada da música e ainda acha espaço para um clima latino. Dá a tensão necessária, fazendo uma “cama” para o dedilhado de guitarra. Ele vai distribuindo detalhes elegantes e pequenas mudanças do começo ao fim da música.

 Agora é sua vez, geek musical: escolha três de suas gravações de baixo favoritas e me diga quais são!

3 Responses to “Três grandes gravações de baixo no rock – parte 01”

  1. Òtimo post,gosto muito de Police e o Sting consegue destacar muito bem suas gravações de baixo mesmo ao lado de outros dois feras, Bring on the Night é um ótimo exemplo onde a competência do baixo chama a responsabilidade e a bateria e a guitarra se soltam. O Solo de baixo de John Entwistle/The Who em My Generation é um clássico, mas a gravação em Wont Get Fooled Again, é sublime, ele não se repete em nenhuma estrofe, chama atenção em meio à outros àzes: Keith Moon e Pete Townshend, dois exemplos de baixistas que eu admiro.

    • Rafael Fernandes disse:

      Gustavo, muito boas lembranças.

      E o Sting é um grande baixista. Não conhecia essa música do Police, é ótima e tem um grande baixo, mesmo.

      Abs,

      Rafael

  2. Wendell disse:

    as linhas de baixo que seeempre ouço são as do Flea, sem querer ser clichê mas o cara manja.

    Minhas preferidas são Warlocks, Hump The Bump e Look Around, eu como baixista amo tocá-las. Todas as outras tem muitos méritos, rítmicos melódicos, mas essas são perfeitas pra mim.
    Outras linhas de baixo excepcionais são as do John Myung coisas como The Ytse Jam e The Dance Of Eternity não se vê em qualquer lugar.

    Hysteria do Muse também é incrível e Golden Egg do Primus, nossa amo essas linhas.
    Eu poderia ficar aqui falando e falando e falando o rock possui muitas ótimas gravações de baixo, muitas mesmo!
    Enfim, ótimo site, excelente e louvável, parabéns!

    Valeu ;)

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