Act I: The Lake South The River North, Dear Hunter

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Para um geek musical, todo lugar é oportuno para conhecer novas bandas. Cheguei ao The Dear Hunter por uma twittada do Mike Portnoy. Corri atrás e não me arrependi: já se tornou uma das minhas bandas favoritas. No som do The Dear Hunter ouvimos ecos de rock progressivo, Beatles, Queen, Muse, The Mars Volta. Uma mistura de rock progressivo clássico com rock alternativo. Mas como toda boa banda, depois de algumas ouvidas já identificamos uma assinatura sonora.

O grupo surgiu 2005 e tem como líder um daqueles “faz-tudo” (concepções, músicas, letras, etc): Casey Crescenzo. São quatro os discos lançados até agora:  Act I: The Lake South, The River North (2006), Act II: The Meaning of, and All Things Regarding Ms. Leading (2007), Act III: Life and Death (2009) e The Color Spectrum (2011). Na verdade, The Color Spectrum não é um disco, mas uma série de nove EPs com títulos de cores e com as músicas tentando refletir algo de tais cores. Para os interessados, o grupo divulgou o lançamento de um disco de inéditas – chamado Migrant – para o dia 02 de abril de 2013.

Act I: The Lake South The River North é, como diz o título, o primeiro ato de uma história que já cujas partes dois e três já foram lançadas. A previsão é de um total de seis partes. Esse disco inicial descreve a concepção, nascimento e infância de um garoto (“The Boy”), filho de uma prostituta (“Ms Terri”). É um disco arrojado e instigante. As músicas são bem estruturadas e cheias de dinâmicas – assim como o álbum. Mas tudo isso sem perder o apelo da canção marcante. The Dear Hunter não é uma banda de rock progressivo no sentido clássico, mas tem muitos de seus elementos. Os arranjos são bem elaborados, com muitas alternativas e camadas sonoras. Um grande apelo dramático permeia todo o álbum – não espere alegria por aqui.

A abertura, “Battesimo del Fuoco”, mostra de cara o arrojo do disco: começa apenas com um vocal limpo que, aos poucos, vai ganhando acompanhamento de um belo coro. Quando se esperaria que a segunda música fosse uma porrada, o anti-clímax: “The Lake South” é instrumental, com sopros e cordas. Em “City Escape” temos finalmente a explosão de um ótimo rock. É uma música que é marca registrada do grupo: intensidade, mescla de um rock mais sujo com pop; vocais e concepção de arranjo como canções do Queen de Freddie Mercury. “The Inquiry Of Ms Terri” é bem construída, vai seduzindo o ouvinte aos poucos, até seu climax, apoteótico: “We dance around the truth, my dear”.

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Casey Crescenzo

Percebe-se que o disco foi muito bem pensado – artigo raro nos dias de hoje. Depois dessa sequência pesada e dramática, “1878” alivia a audição a com um clima mais ameno, relaxado – nos dá um fio de esperança. Mas sem perder a melancolia, que marca o som do The Dear Hunter. “The Pimp And The Priest” também é menos dramática. Começa com um clima entre o cabaré e o circo, numa intenção jocosa que dialoga bem com o título.

“His Hand Matched His Tongue” é o que mais se aproxima de uma balada pop. Tem estrutura simples e o refrão vai se repetindo em looping. É um bom desfecho, que não quer se destacar pela apoteose, mas sim pela elegância. “The River North” é a última, um tema instrumental de piano, quase uma vinheta. Um artifício típico do rock progressivo – apesar do The Dear Hunter, repita-se, não ser uma banda exatamente do estilo. Vale destacar que é um disco com menos de quarenta minutos (38:38 para ser exato) e com apenas oito faixas – sendo três que mais parecem vinheta. Ou seja: um álbum certeiro, na dose exata – que nos deixa coma vontade de ouvi-lo de novo.

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