Yesterday & Today Records: um sebo de vinil em Miami

Miami é aquele tipo de cidade vista com preconceito tanto aos olhos latinos quanto americanos. Do lado de cá, diz o ranço brasileiro que Miami é o paraíso de nossa elite alienada. Já do lado de lá, o ranço americano diz que é reduto de “latinos e cucarachos”. As duas visões até possuem suas verdades, mas pintam um retrato muito estereotipado e unidimensional. São apenas recortes, não representam o todo. Sabendo disso, fui lá com a cabeça aberta para conhecer o que Miami tinha a oferecer e vi uma cidade limpíssima, extremamente organizada e sem áreas degradadas. Mesmo em seus lugares “chiques”, não vi uma cidade excludente ou cercada por muros, como São Paulo. O direito de ir e vir é igual para todos. Também não vi qualquer tipo de violência ou sinais de hostilidade, coisas que se tornaram corriqueiras aqui no Brasil. E, por ter ficado no centro (downtown), consegui ficar alheio à boa parte daquela “latinidad” esnobe e ostentadora que tão bem conhecemos.

Fiz o roteiro conhecido de outlets, restaurantes e conheci lugares interessantes como Coral Gables e South Beach. Conferi também as livrarias de lá, como a Barnes & Noble e a Books & Books, além de um sebo chamado 15th Street Books. Do lado musical, a maior expectativa era em torno da Yesterday & Today Records, um sebo de discos raros que me foi muito bem recomendado. Um pouco afastado do centro, cheguei à 40th Street curioso com o que iria encontrar. Como podem ver, a loja é um cubículo, com torres de vinis até o teto. É quase impossível andar por ali, porque há caixas e mais caixas espalhadas por todo o chão. A arrumação é meio caótica, mas pode-se encontrar tudo o que se deseja, pois o senhor que toma conta da loja conhece todos os seus atalhos.

Logo que examinei os primeiros discos que me interessavam, pude notar que os donos da loja são exigentes ao extremo em relação ao estado dos vinis que vendem. Um rigor que não consegui encontrar nem nos melhores sebos de São Paulo. Não havia ali um único vinil que estivesse em mau estado. Praticamente todos os discos estavam impecavelmente semi-novos (alguns até lacrados).

Entre raridades e itens curiosos, não posso deixar de mencionar aqui a caixa YesYears em fita K7 (eu só tinha visto em CD) e os CDs do Led Zeppelin em versão japonesa. Isso sem falar de discos das bandas mais inóspitas, compactos e outras velharias da idade da pedra musical. Bom, vamos ao saldo final desta aventura, comentando as minhas 11 escolhas:

* Van Halen II e Women and Children First, do Van Halen: são dois discos que gosto muito da fase Roth, embora não superem o bombástico Van Halen I, o subestimado Fair Warning e o multiplatinado 1984. Destaque para o encarte do Van Halen II, com belas fotos dos integrantes da banda — fotos estas que tinham perdido todo o charme e a graça no encarte do CD.

* Signals e Hold Your Fire, do Rush: além de adorar essa fase high-tech do Rush, aqui teve um gosto de vingança. Contra mim mesmo, no caso. Anos atrás (uns vinte, acho) eu possuía estes dois discos em vinil. Aí, numas daquelas casualidades da vida, me desfiz deles para ficar apenas com os CDs. Desnecessário dizer que, tempos depois, me arrependi amargamente. Então, nada como poder reparar um erro cometido por um geek ainda inexperiente.

* Fragile, Close To The Edge e 9012LIVE/The Solos, do Yes: peguei logo três de uma vez por uma razão muito simples — eu tinha poucos vinis da maior banda progressiva da história do rock (só o 90125, o Relayer e uma coletânea). Escolhi Fragile e Close To The Edge porque são as maiores obras-primas do prog e o 9012LIVE porque sou fã fervoroso da fase 80’s com Trevor Rabin.

* Axis: Bold As Love e Electric Ladyland, do Jimi Hendrix: depois de ter pago 80 reais pela nova edição do Are You Experienced aqui no Brasil, encontrei lá os outros dois álbuns oficiais do gênio da guitarra também em suas versões relançadas. Detalhe: os dois discos estavam lacrados. E, vejam só, o Electric Ladyland (que é duplo), me custou 28 dólares — ou seja, 56 reais. Preços e cargas tributárias à parte, estou feliz por ter completado a discografia oficial do Hendrix.

* Machine Head, do Deep Purple: outro que estava lacrado e não pude dizer não — mesmo eu já tendo uma versão “old school” desse clássico aqui na coleção. Purple sempre é essencial, qualquer que seja a situação. Estou até com pena de abrir…

* Greatest Hits 1972-78, do Steely Dan: este eu comprei de presente para o meu irmão que, além de também colecionar vinis, possui uma fixação por esta excelente dupla formada pelos geeks Donald Fagen e Walter Becker. Como coletânea é sempre uma escolha segura, optei por este vinil duplo, que pega a fase áurea da banda. Não tinha como errar.

Por fim, deixo aqui a minha recomendação a todos os geeks musicais e fetichistas de plantão que forem fazer uma escala em Miami: há outras opções de vinil e discos vintage na cidade, mas a Yesterday & Today Records é parada obrigatória.

4 Responses to “Yesterday & Today Records: um sebo de vinil em Miami”

  1. Simonhead disse:

    Putz. Demais a última foto! Vinil é o que há! \o

  2. alex disse:

    Diogo..vc poderia dizer a media dos preços? e quando pagou por cada um? hehe.. valeu. abs.