Especial RUSH (fase 1): Nasce o Power Trio

Aproveitando o gancho da indução d’A Santíssima Trindade ao Hall of Fame em 2013, apresento o Especial RUSH, uma série de 6 posts cobrindo toda a discografia da banda. Faço também o convite a você, geek musical, para deixar seu comentário no post/fase em que mais gosta do Power Trio mais adorado do rock.

Rush (1974)

O primeiro trabalho da banda, ainda com John Rutsey na bateria, seguia o rastro do Led Zeppelin e de power trios como o Cream e Jimi Hendrix Experience. Depois de ter sido recusado por todas as gravadoras, o disco foi lançado pelo selo independente Moon Records. A reviravolta aconteceu quando a música “Working Man” estourou numa rádio de Cleveland, garantindo um contrato com a Mercury, que relançou o álbum nos EUA. Músicas como “In the Mood”, “Finding My Way” e “What Your’re Doing” traziam a urgência juvenil dos anos embrionários da banda e a crueza das guitarras. Após o sucesso de Rush, Geddy Lee e Alex Lifeson queriam investir num som mais progressivo, influenciado em bandas como Yes, Genesis e Jethro Tull, o que culminou com a saída de John Rutsey por diferenças musicais e também devido a diabetes.

Fly By Night (1975)

A entrada de Neil Peart “fecha” a tríade e dá identidade à banda. Além de excepcional baterista, era também um leitor voraz de ficção científica e logo ganhou o posto de letrista da banda, dando início às grandes epopeias futurísticas que caracterizariam as letras da banda nos anos seguintes. O primeiro passo nessa direção foi “By-tor and the Snowdog”, mas o disco ainda trazia a agressividade do disco de estreia, com “Beneath, Between and Behind” e “Anthem”. “Making Memories” era o momento acústico e mais reflexivo e a faixa-título se tornou um clássico da banda. Outro novo membro a se juntar à trupe é o produtor Terry Brown, iniciando uma longa parceria, sendo considerado para muitos o quarto integrante da banda.

Caress of Steel (1975)

Prosseguindo com os temas épicos, iniciados em Fly By Night, este álbum inaugurava o formato conceitual na discografia do trio. A arte da capa — inaugurando a parceria com o artista Hugh Syme (que dura até hoje) — já sinalizava a temática sombria do disco. Os longos e complexos temas foram esticados à exaustão e a recepção tanto por parte da gravadora quanto dos fãs variou do estranhamento à indiferença. Abrindo shows para o Ted Nugent, a turnê foi intitulada de Down the Tubes (algo como “indo para o ralo”) e terminou antes do previsto, devido ao fracasso do álbum. A pressão da gravadora por singles aumentava cada vez mais e o Rush chegava à sua primeira encruzilhada: se o próximo álbum não trouxesse retorno, a banda correria sério risco de acabar.

2112 (1976)

Talvez Caress of Steel fosse um passo muito além do que a banda poderia dar. O fato é que havia a pressão comercial da Mercury e o formato conceitual era apontado como anticomercial. Decididos a manter sua integridade artística (mesmo que isso lhes custasse a carreira), eles lançam 2112. A faixa-título é uma suíte de 20 minutos (dividida em sete partes) e conta a batalha pela liberdade artística de um indivíduo, que usa a guitarra como arma revolucionária contra a massa opressora comandada pelos sacerdotes do Templo de Syrinx. No restante do álbum, o trio mantém a coesão do trabalho aliando boas melodias com power-chords de hard rock. Equilibrando a crueza dos trabalhos iniciais com o progressivo que eles estavam buscando, 2112 se transforma num clássico absoluto e os coloca definitivamente no mapa do rock.

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6 Responses to “Especial RUSH (fase 1): Nasce o Power Trio”

  1. Acompanhei esse especial em silêncio, e vou comentar só agora para agradecer, até por que eu nunca fui além dos “2112″ e “Moving Pictures” e essa postagem foi muito útil para mim. Parabéns Diogo você é uma sumidade em Rush e todos seus posts relacionados transparecem sua paixão pelo trabalho desse trio que eu respeito muito, e acredito piamente que deveriam ser tratados de uma forma mais respeitosa na música e o “Ralo” of Fame tá maluco de ter demorado tanto para fazer isso, apesar que o amor que os fãs tem pela banda vale muito mais do que um troféu ou qualquer outro adorno de estante, no mais nada mais.

    • Diogo Salles disse:

      Gustavo, obrigado por ter acompanhado. A discografia do Rush é uma coisa tão musicalmente diversa que se torna um desafio para o ouvinte.

      Quanto ao Hall of Fame, tenho a impressão de que a indução aconteceu não só por pressão dos “die hards”, mas também de figurões do rock – basta ver o filme “Beyond The Lighted Stage” e constatar.
      Mas isso é assunto para outro post, que chegará junto com a cerimônia do Hall of Fame. Pode me cobrar.

      abs
      Diogo

  2. Iago barros disse:

    caramba acabo de ouvir por inteiro o 2112….simplesmente demais!!!!!

  3. Lucas Lara disse:

    Cara, parabéns pelo texto. Só tenho uma correção importante a fazer: O disco Caress of steel saiu primeiro que o Fly by Night. Dê uma revisada. ;)