Especial RUSH (fase 2): Moving Pictures

Moving Pictures (1981)

Considerado o magnum opus do trio canadense, esse álbum não é apenas sumidade entre os fãs. Moving Pictures é um marco na história do prog-rock e merece audição do início ao fim. Os flertes com os teclados já davam indícios para onde o Rush levaria seu som nos anos seguintes. O resultado é um disco mais solto e variado — sem tantas preocupações estilísticas e virtuosísticas —, e soa poderoso até hoje. É o Rush no ponto mais alto que uma banda pode atingir do ponto de vista criativo, constituindo-se na ponte mais bem pavimentada entre o progressivo dos anos 70 com o synth-rock dos anos 80. Dividindo as duas décadas não só na carreira da banda, mas no rock como um todo, captou exatamente esse período de transição por qual passava a indústria fonográfica, com a chegada do videoclipe e da MTV. E eles souberam tirar o máximo desse partido artístico, combinando rocks vigorosos com melodias mais pop, sem que se perdesse completamente a veia progressiva. Confira o tracklist:

Tom Sawyer
Maior clássico da banda, adorado por todos os fãs de rock. O próprio Neil Peart afirmou ter sido um desafio tocá-lo ao vivo por trinta anos, sem nunca ter se cansado dele. Ironicamente, o álbum ganhou popularidade no Brasil quando a música foi usada na vinheta de introdução do seriado do McGyver, fato que deixou a banda desconcertada (com toda a razão).

Red Barchetta
Com atmosfera cinematográfica e variações rítmicas, essa música mostra como a banda valorizava cada vez mais o processo de composição. Com as quebras de tempo de Peart, os arpejos de Lifeson e baixo pulsante de Lee, se transformou numa espécie de “clássico esquecido” que, volta e meia, é executado ao vivo.

YYZ
Peça instrumental acelerada, virtuosa e tecnicamente irrepreensível, se tornou uma assinatura da banda. Sua pirotecnia sonora é o tour-de-force da banda ao vivo, levando o público — composto em grande parte por músicos aspirantes — ao delírio.

Limelight
A letra diz muito sobre o que é o Rush, tanto que foi dela que saiu o nome do novo documentário Beyond the Lighted Stage. Esse clássico jamais saiu do setlist nas turnês e é o momento em que a banda encontra o seu lado mais pop, sabendo dosá-lo com o rock.

The Camera Eye
Com mais de dez minutos de duração, traz os últimos resíduos do rock progressivo da banda, cheia de variações e climas. Tocada ao vivo apenas na turnê do Moving Pictures em 1981, voltou ao setlist 30 anos depois, na Time Machine tour.

Witch Hunt
É o momento sombrio do disco, parte da “trilogia do medo”, criada por Peart para abordar o lado B do ser humano. Esporadicamente aparece nos setlists e funciona no palco, com o timbre sinistro da guitarra de Alex em contraponto com os teclados.

Vital Signs
Após o flerte com o reggae em “The Spirit of Radio”, dessa vez o reggae é a base principal da composição. Fortemente influenciado por The Police e Ultravox, foi uma das primeiras incursões do Rush pelo new wave.

__________________________________________________________________________________

Veja também
Rush: quando o rock vira religião
Mais Especial RUSH
Ouça o Tungcast Rush
Rush no Hall of Fame: a vingança dos geeks musicais

Beyond the Lighted Stage
Caderno 2Rush, muito além do palco

Comments are closed.