Especial RUSH (fase 4): Maturidade musical

Presto (1989)

A mudança de som nesta nova fase da carreira do Rush não se daria de forma tão contundente como foi das outras vezes. Aos poucos os teclados começavam a ir para o segundo plano, abrindo caminho para o formato guitarra-baixo-bateria voltar ao front. Para dar uma nova cara à banda, outro produtor foi chamado. Rupert Hine entrou com banda em estúdio, mas não conseguiu captar essa essência. Sua produção é discreta, por vezes burocrática. Não houve uma “ruptura” sonora com o álbum anterior. As guitarras se mostram tímidas, sem distorção ou agressividade — ainda resquício do trabalho deixado em Hold Your Fire. O disco tem bons momentos, como “Chain Lightning”, “The Pass” e “War Paint”, mostra um lado funky com “Scars”, mas é em “Show Don’t Tell” que eles deixam a pista para o tipo de som que buscariam dali por diante: um som mais simples e direto.

Roll the Bones (1991)

Com Rupert Hine mais entrosado com a banda, eles se mostram mais soltos no trabalho seguinte. Dessa vez, o som se equilibra entre diversas vertentes. O ataque sonoro de “Dreamline” abre alas, dando passagem para a balada “Bravado” e abrindo para novas experimentações, como no rap da faixa-título. Uma boa surpresa foi que, depois de dez anos, uma nova tradição se reiniciava nesse álbum: a volta das músicas instrumentais, com a suingada “Where’s My Thing?”. Em Roll the Bones, o senso de humor aparece mais nas letras e mostra uma banda mais madura, que não precisa se levar tão a sério. Apesar da economia de teclados no disco, o resultado ainda soava pop em alguns momentos. A faixa-título apareceu bastante na programação da MTV e não só foi bem recebida pelos fãs, mas também rendeu uma nova horda de Rush-maníacos aqui no Brasil.

Counterparts (1993)

Finalmente Alex Lifeson perdeu o medo (ou a paciência) e bateu de frente com Geddy Lee: dessa vez ele não queria teclados no disco. Essa atitude rendeu muitas discussões entre os músicos e Peter Collins, que voltou a produzir a banda. Geddy Lee chegou a afirmar que, quando chegava ao estúdio com seus teclados para ensaiar, recebia olhares fulminantes do guitarrista. De alguma forma, esse clima tenso se refletiu no resultado final, onde Lifeson se mostrou disposto a tomar à frente e colocar sua guitarra em destaque. Para isso, optou por riffs mais simples e timbres mais pesados (até “sujos” em alguns momentos), como ficou evidente em “Stick it Out”, “Cut to the Chase” e “Double Agent”. Mesmo assim, as baladas “Nobody’s Hero” e “The Speed of Love” e o clima pop de “Cold Fire” serviram de contraponto para o disco que rompia definitivamente com aquele Rush dos anos 80.

Test for Echo (1996)

Dispostos a se desafiar mais uma vez, resolveram mudar totalmente a dinâmica nas gravações. Dessa vez, Peart traria as letras prontas para Geddy e Alex comporem a música em cima. O próprio Peart já havia se reinventado na bateria, quando foi participar do tributo a Buddy Rich e resolveu tomar aulas com Freddy Gruber. Como resultado, Test for Echo se tornou a volta do grande Rush de quinze anos atrás, que se desafiava com um trabalho forte e coezo. A faixa-título abre caminho para uma sequência de músicas marcantes como “Driven”, “Half the Word” e “Time and Motion”, equilibrando o repertório com a balada “Resist”, com o clima pop de “Totem” e com a densidade da instrumental “Limbo”. Na turnê, eles iniciaram os shows de 3 horas de duração, sem banda de abertura. E, ao final da Test for Echo Tour, a tragédia pessoal de Neil Peart colocaria o Rush em período de hibernação pelos anos seguintes.

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