Top 05 – Meus bateristas favoritos – internacionais

Em Woody Allen: A Documentary, o diretor nova-iorquino diz algo com o que concordo, quando indagado sobre o Oscar. Foi algo como: não existe o melhor, existe o seu favorito. Pode parecer uma frase “em cima do muro”, mas não é. Como o próprio Allen disse, no esporte pode haver um melhor. Afinal, a disputa está em seu cerne. Em música, não. Assim, o que sobra é nossa preferência – e é daí que vem minha lista de bateristas preferidos, que privilegia o rock internacional. E vale destacar que, como bom Geek Musical, essa lista pode sofrer variações no futuro.

1) John Bonham – Led Zeppelin

Se Jimmy Page e Robert Plant eram os talentos óbvios e John Paul Jones o talento esquecido, John Bonham era quem dava sustentação à pegada da banda – responsável por, ao menos, metade do peso do grupo. Na verdade, ele não tinha pegada, eram patadas! O som que ele tirava da bateria era impressionante, seja com porrada ou sutileza. São muitos os exemplos de sua capacidade. Um deles, bastante representativo, é “Since I’ve been loving you” ao vivo do disco BBC Sessions – minha versão favorita. Ela capta bem o som do Led em sua forma bruta – no palco. É uma performance arrebatadora. Ouça e perceba o quanto John Bonham varia na intensidade das batidas, na diversidade de levadas e motivos musicais. Ele ora fica numa levada básica, ora dialoga com Plant, ora com Jones, ora com Page. E vai colocando alguns contratempos aqui e ali, colorindo a parte rítmica da música. O final é épico: ele dá ainda mais intensidade e dramaticidade à execução. Vale uma ouvida atenta. Para mim, John Bonham é o grande baterista de rock.

2)  Mike Portnoy – Adrenaline Mob / ex-Dream Theater

Mike Portnoy

escrevi num outro post: Mike Portnoy tem técnica, mas não é tão técnico quanto um Mike Mangini, muito menos quanto um Neil Peart. E não há demérito nisso. É que ele é muito mais um compositor, um arranjador de bateria – suas execuções sempre têm fraseados marcados pela assinatura de seu estilo. Ele é um daqueles músicos que geram reações extremas: alguns o consideram um deus do instrumento, desprezando décadas de música. Outros insistem em querer diminuir seu talento, em geral mais por birra ou por ele ter vindo de uma banda de metal progressivo. O que gosto em Portnoy é que, como escrevi acima, ele é mais compositor: suas linhas são criativas, cheias de surpresas e com vários motivos musicais identificáveis – provável influência de Neil Peart (ver abaixo). Ele também tem personalidade de artista, e não apenas de instrumentista: tem boa noção do todo da música e, obsessivo, se interessa por todos os aspectos de seus projetos. Um dos lançamentos de 2013 que mais aguardo é o power trio de hard rock que ele montou com Richie Kotzen (guitarra e vocais) e Billy Sheehan (baixo). É um Portnoy cada vez mais versátil.

3) Pat Torpey – Mr. Big

Pat Torpey

No Mr. Big, muito se fala de Paul Gilbert e Billy Sheehan. Eric Martin, um dos principais compositores e vocalista, também é sempre lembrado. Pat Torpey é pouco citado. Uma injustiça. Estando numa banda com um guitarrista e um baixista do nível de Gilbert e Sheehan, só resta ao baterista fazer o possível para segurar a base. E é o que Pat Torpey faz, com eficácia. Numa primeira audição, ele pode parecer um baterista simples e óbvio. Mas é só impressão. Podemos dizer que sua maior qualidade é a precisão: de execução e de encaixar a bateria adequadamente ao arranjo – sendo discreto quando necessário, ou preenchendo quando requisitado. Além disso, Torpey é dono de um belo timbre. Um exemplo disso tudo é “Take cover”, do disco Hey Man – não à toa a música começa com uma levada de bateria. O ritmo pode parecer até banal, mas a dinâmica que ele dá à execução não é: tem sutilezas e dialoga bem com o riff de guitarra. Pat Torpey é técnico, mas não tão virtuoso. Está sempre à serviço da música, não de exibicionismos. E também tem seu lado compositor: é co-autor de ótimas músicas como “Jane doe”, “Road to ruin” e “Mr Gone”.

4) Will Calhoun – Living Colour

Will Calhoun

Will Calhoun tem o “pacote completo” de um grande baterista: é técnico, preciso, pesado, tem groove e é altamente virtuoso. Tem um repertório impressionante de “truques”. Pode ir de uma levada aparentemente simples como “Love rear its ugly head” até o virtuosismo metal de “Go away”. Já fizemos um Tungcast sobre o Living Colour e podemos afirmar que se trata de uma “all-star band“: todos os seus integrantes são músicos de alto nível e se equivalem tecnicamente. Além disso, é uma rara banda que consegue, com brilhantismo, unir peso e groove. E boa parte disso se deve à presença de Will Calhoun. Em “This little pig” a pegada é quase hardcore; “Solace of you” é marcada pela discrição e em “Cult of personality” a bateria faz jus ao clássico que a música se tornou. Já “Time’s Up” é uma obra prima – e com um nível técnico de dificuldade e alternância de andamentos que só pode ser executada por poucos.

5) Neil Peart – Rush

A informação mais importante aqui é: eu nem gosto de Rush. Tirando umas cinco ou seis músicas, não me emociona. Mas acho Neil Peart impressionante, um dos grandes do rock. Ele é técnico e virtuoso, mas soa orgânico – não é nada forçado. Você sente o groove, não parece que é uma “maquininha” tocando. E as batidas soam como algo fora do comum – são pesadas, precisas, mas cheias de vida. Elas parecem ter sido muito bem pensadas, mas soam como se fossem casuais. E essa capacidade é muito rara de se atingir. Esse tipo de execução de altíssimo nível que soa leve e solta é uma característica dos grandes bateristas de jazz. Boa parte disso deve ser resultado de seus estudos com Freddie Gruber. Peart também é um ótimo arranjador – nas músicas, identificamos várias assinaturas sonoras, como se fossem licks ou riffs (aqui, a influência sobre Mike Portnoy, citada acima). Vale lembrar que o Rush é um power trio. E progressivo. E uma das maiores bandas de rock da história. Não é qualquer um que segura a batera numa situação dessas. É preciso se garantir. É preciso ser, assim, um…Neil Peart.

Agora quero saber de você, geek musical: quais são os seus 05 bateristas favoritos de rock?

7 Responses to “Top 05 – Meus bateristas favoritos – internacionais”

  1. iago barros disse:

    Finalmente! O sr.rafael fernandes falando de algo que eu entendo…(brincadeira rafael.)para mim eu dividiria os 5 em duas classificaçoes:virtuoses e tecnicos…na qual seriam:
    portnoy e peart(virtuoses)
    mason e mangini(tecnicos)
    e o quinto eu colocaria brufford…

  2. William disse:

    Os meus cinco seriam: Portnoy, Neil Peart, Bonham, Bruford e Dennis Chambers, meio deslocado dos demais rs

  3. 1 – Bonham; 2 – Peart; 3 – Charlie Watts; 4 – Ginger Baker; 5 – Ringo Starr/Keith Moon (homenagem aos porra locas carismáticos).
    Abraços e parabéns pelo Geek e beijo para o Diogo.

    • Diogo Salles disse:

      Posso trocar o beijo por um abraço, Luiz? Nada pessoal… rss

      Mas sério, no futuro farei um post com o meu top 5 bateristas
      Apenas deixo aqui uma pergunta a todos: alguém ousaria deixar o Neil Peart de fora de uma lista de bateristas?

      abs a todos
      Diogo

  4. Rafael Fernandes disse:

    Obrigado William, Iago e Luiz pelos comentários, ótimas listas!!

    Abs,

    Rafael

  5. só vale do rock? porque eu incluiria Steve Gadd na lista.