A música como terapia – o tocador de MP3

Nunca fui um early adopter de tecnologia. Assim, comprei um iPod relativamente tarde. Mas em pouco tempo já estava viciado. E a culpa é do meu colega de blog e Tungcast, o Diogo Salles: ele me emprestou um que não usava mais e não teve jeito – tive que comprar um para mim. E o Diogo estava certo: todo geek musical acaba precisando de um iPod – ou ao menos um tocador de MP3 ou celular. Pela possibilidade de ouvir milhares de música em qualquer momento é quase uma ferramenta de terapia.

Nós, obsessivos por música, precisamos estar em contato com nossa “musa” constantemente. Senão, corremos o risco de pirar. Não são raros os dias em que fico com zero de música no trabalho e quando chego em casa sinto uma necessidade quase fisiológica de ouvir alguma coisa. E para o tratamento são necessários vários “medicamentos”: CD, MP3, streaming e vinil. Adicionalmente livros de música, um instrumento musical e colecionáveis (fitas K7, edições especiais, autógrafos, ingressos de shows, palhetas, etc) – algo que falamos no Tungcast Memorabilia.

Me lembro até hoje do momento em que ganhei meu walkman: de dia das crianças, antecipadamente – lembro até do cheiro que ele tinha. Lembro, também, de quando ganhei de aniversário um CD player portátil – que tenho até hoje. Desde seu lançamento, o iPod foi seu substituto mais eficiente – e melhor ainda pela quantidade de música armazenada. Quem não gostaria de ter uma fita K7 ou CD “infinitos”? E a possibilidade de criar playlists é uma boa opção para relembrar as saudosas mixtapes.

Hoje, acho que um acervo de MP3 – no PC e no iPod – mais as opções de streaming (Spotify, Grooveshark, Rdio e até o YouTube), são essenciais, práticas e maravilhosas formas de se ter uma musicoteca de fácil acesso para conhecimento e estudo. Para algumas poucas audições, uma coisa passageira, para começar a conhecer o trabalho de alguns artistas e para pesquisa – não dá para comprar tudo em CD para suprir essa necessidade. O CD e até o vinil para mim têm a ver, além do fetiche, com uma audição mais atenta e profunda. Quase um ritual: sentar, ouvir, absorver as informações, notar os detalhes, reouvir. E é, também, uma relação mais afetiva: discos e artistas que vamos ouvir mais vezes, que temos maior ligação. Mesmo com a óbvia perda de qualidade do MP3, não vejo briga entre os tipos de mídia: cada uma tem sua função na vida de um geek musical.

Há quem reclame do legado do iTunes por supostamente banalizar a música com o MP3, desintegrar o formato álbum e, assim, bagunçar a forma como se consome música. Nada disso. A possibilidade de ter seu grande acervo em qualquer lugar e com fácil acesso é sensacional. E quando o iTunes surgiu a indústria da música já estava em colapso por causa do MP3 – os produtos da Apple apenas apareceram para suprir uma necessidade já existente.

Além disso, é preciso lembrar que o álbum, embora interessante, foi um formato imposto pela indústria musical quando lhe foi conveniente. E acredito, também, que nos dias de hoje o álbum deveria ser apenas mais uma entre várias opções de se lançar novas músicas. Não a regra. Os artistas deveriam procurar outras formas de organizar suas criações.

Seja qual o formato, o que importa é estar em contato constante com música. Nós, os aficcionados, temos a mania de exagerar e dizer que a música nos salva. Mas não está muito longe disso: ela ajuda nas horas ruins, do desabafo, da decepção, da revolta, da solidão. O iPod – como foi um dia o walkman – é uma boa ferramenta para ajudar nessa terapia. E você, geek musical, como se relaciona com a audição de música?

Outros links geeks:
- Tungcast #002 – Memória afetiva da música
- Tungcast #004 – O formato álbum acabou?
Tungcast #060 – Memorabilia

Tagged: , ,

2 Responses to “A música como terapia – o tocador de MP3”

  1. Eu uso o celular para ouvir o tungcast. /