Eric Clapton, A Autobiografia

Eric Clapton, A AutobiografiaLançado em 2007, o livro Eric Clapton, A Autobiografia, mostra a visão particular do músico a respeito de sua carreira. Como todo livro de memórias, certamente deve ter suas distorções, mas não deixa de ser honesto: Clapton fala sem pudores sobre seus erros, egocentrismo, baixa autoestima; as drogas, o alcoolismo, seus problemas com as mulheres e a trágica morte de seu filho, Conor – que acabou gerando muitas músicas, em especial a mais que conhecida “Tears In Heaven” (também inspirada na morte de seu avô, que por muito tempo ele achou que fosse seu pai).

Mas o livro não é apenas sobre problemas. A música, é claro, tem grande destaque. Como um bom geek musical, Clapton demonstra amor incondicional à música – sempre Ela, presente para nos salvar. Ele descreve seus momentos ouvindo discos, desvendando canções, tocando, descobrindo artistas e visitando lojas de música. E, também, sua pesquisa e desenvolvimento como instrumentista.

Veja algumas declarações de amor de Clapton sobre a música, nossa musa, que aparecem no livro:

- “a única coisa com a qual eu realmente sempre podia contar” (P. 262)

- “…parecia que minha vida havia sido uma série de episódios pouquíssimo significativos. (…) A única ocasião em que havia parecido real era quando eu estava me desafiando na música” (P. 277)

- “Ela sempre foi minha salvação (…) mesmo que estivesse tocando, só escutar me tirava do aperto” (P. 317)

Lemos também sobre sua evolução musical e involução pessoal; sobre a formação e dissolução do Yardbirds, Cream e Blind Faith; colaborações com músicos diversos; sua veneração ao blues e seus músicos; o flerte com o reggae; sobre “Clapton is God”; diversas turnês; períodos de inatividade e a criação da instituição Crossroads – nome que também batizou um festival de música, entre outros assuntos.

Em relação ao alcoolismo, duas observações: primeiro, sua penosa luta, e vitória, contra o vício. E que, apesar de estar no auge do sucesso, por causa do vício ele muitas vezes não tinha noção exata do que estava fazendo e conquistando. Clapton se perdia no fundo do poço justamente num momento em que deveria saborear a glória.

O livro foca mais nos dramas pessoais e pensamentos de Eric Clapton. Mas a publicação faz um bom panorama de sua carreira, passando por seus discos, algumas de suas gravações, aspectos de composição (como inspiração e processo de criação) e o mais saboroso: citação de centenas de músicos importantes, de Robert Johnson a Jimi Hendrix, passando por outros não tão conhecidos. Nesse caso, é um prato cheio para pesquisas. É um bom divertimento com ótimas informações.

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