Top 5 – Melhores discos sucessores de hard rock/metal

Todo geek musical que se preza faz listas. Melhores discos disso, melhores músicas daquilo, não importa. Apesar de essa mania ter sido um tanto desvirtuada nos últimos anos, vi outro dia no That Metal Show uma proposta que parecia interessante: melhores “segundos álbuns”. Geralmente o segundo disco é considerado crucial para uma banda, uma vez que, depois de lançada, ela perde seu frescor e cria expectativas (muitas vezes, falsas). E, como muitas vezes aconteceu na história da música, várias bandas foram tragadas pela “maldição do segundo disco”. Mas como toda regra tem exceções, temos aqueles que conseguiram superar as expectativas criadas depois do primeiro disco. A lista do TMS é boa. Tem Black Sabbath, Iron Maiden, Def Leppard, Rainbow e Anthrax. Gosto do Def Leppard e do Rainbow, mas fico apenas com o Sabbath. De resto, tenho sugestões diferentes…

1) Led Zeppelin II – Led Zeppelin

Tá certo, o primeiro disco tinha, além da veia bluesy, uma crueza sincera e soava completamente novo. Mas, por mais que gostemos de “Communication Breakdown”, faltavam as pedras fundamentais do rock, que vieram só neste segundo disco. Aqui, além das imortais “Whole Lotta Love” e “Heartbreaker”, temos os clássicos esquecidos “Bring It On Home” e “Ramble On”. Sem falar das quebras de clima de “What Is And What Should Never Be” e do groove de “Moby Dick”. E pensar que o Led ainda superaria essa marca… Duas vezes (com Led Zeppelin IV e Physical Graffitti).
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2) Paranoid – Black Sabbath

Aqui eu sigo com a opinião do pessoal do TMS, até porque não tem como discordar. Paranoid é um clássico absoluto. Não só definiu o som que a banda viria a explorar em toda a sua carreira, como permitiu à banda inaugurar algo que em 1970 ainda inexistia: o heavy metal — e “War Pigs”, “Paranoid” e “Iron Man” são três dos capítulos mais importantes dessa história. Tony Iommi é o arquiteto que desenhou e também o engenheiro que construiu o som do Sabbath. Por isso, ele é considerado o padrinho de todos os headbangers que habitam este planeta.
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3) Fly By Night – Rush

Ok, aqui alguns podem argumentar que este segundo álbum é o primeiro com Neil Peart e, portanto, seria o “primeiro” com o power-trio canadense completo (e assim sendo, Caress of Steel confirmaria a “maldição do segundo disco”). Faz sentido, mas no disco de estreia as estrelas de Alex Lifeson e Geddy Lee já brilhavam. Peart apenas chegou um pouco atrasado para fechar a Santíssima Trindade do Metal Conceitual (nas palavras de Kirk Hammett). Pauladas como “Anthem” e “Beneath, Between and Behind” mostravam o força do trio e “By-Tor and the Snowdog” inaugurou a fase mais ambiciosa na banda. Enfim, o Rush surgiu como promessa no primeiro disco, e aqui os caras mostraram que não estavam para brincadeiras.
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4) Surfing With The Alien – Joe Satriani

Depois de se lançar com Not Of This Earth, Satriani tinha em mente que o tipo de som que ele fazia (instrumental) não era para todos. Estava certo, porque não era para todos mesmo; mas também estava errado, porque era para muitos. Seu público era bem mais numeroso do que ele jamais poderia sonhar. A popularidade do disco foi tanta que “Always With Me, Always With You” foi parar até em propaganda de cigarro. Já a faixa-título, “Ice 9” e “Satch Boogie” caíram no gosto dos adoradores de guitarras velozes e virtuosas (em voga nos anos 80). Além de todos os feitos comerciais, com Surfing With The Alien, Satriani também encorajou nomes importantes a se lançarem nesse nicho, como o seu pupilo Steve Vai.
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5) Extreme II: Pornograffitti – Extreme

Tenho para mim a tese de que todo o preconceito contra o Extreme, por causa de “More Than Words”, vem de gente que nunca ouviu o álbum completo. Gente que nunca ouviu músicas como “Get The Funk Out” ou “Lil Jack Horny”. Neste álbum, Nuno Bettencout mostrou que vai muito além do violãozinho de boteco. Com riffs potentes e solos bem elaborados, ele provou que é um dos melhores discípulos de Eddie Van Halen. Sabe dosar a agressividade de “He Man Woman Hater” com uma veia mais pop de “Hole Hearted”. E se a banda não é fundamental para a história do rock (longe disso), é extremamente competente, com uma boa seção rítmica e letras irônicas, como “Money (In God We Trust)“. Uma audição valiosa para derrubar preconceitos.

Bom, esta é a minha lista. Assim como discordei dos caras do That Metal Show, agora é a sua vez de discordar de mim. Afinal, para que servem as listas senão para semear a discórdia, não?

2 Responses to “Top 5 – Melhores discos sucessores de hard rock/metal”

  1. A lista vai longe se for abranger o rock em geral, realmente fazer listas é uma característica dos geeks, porém é um clichê da imprensa musical colocar no topo das suas listas sazonais figurões superestimados como Lynyrd Skynyrd, Bruce Springsteen, Nickelback. As vezes parece mais tangível as listas específicas como as do “TMS” direcionadas à um nicho e com temas eliminatórios como esse.

    • Diogo Salles disse:

      Exatamente, Gustavo. O que gosto nas listas propostas pelo TMS é que elas são mais direcionadas, portanto, tornam o debate mais saudável.

      Sinto engulhos quando vejo essas listinhas hipsters de sites pseudo-bacaninhas que colocam Jack White ao lado de Hendrix e Nirvana ao lado de Beatles.

      abs
      Diogo