Apocalyptic Love, Slash (2012)

Apocalyptic Love, Slash (2012)

Desde que saiu do Guns N’ Roses, Slash tenta montar uma banda em que possa confiar. No Slash’s Snakepit, os músicos que saíram em turnê eram imaturos e só causaram problemas. No Velvet Revolver, se uniu a músicos com estrada e visibilidade. Mas ali ele parecia um pouco deslocado, além de, novamente, ter de conviver com um vocalista de personalidade difícil. Depois de contar com pesos pesados da música em seu lançamento anterior, Slash, de 2010, ele volta em Apocalyptic Love tentando um meio termo: uma banda fixa (chamada de “The Conspirators”), testada em turnê e estúdio, e um parceiro musical que respeita e admira, o vocalista Myles Kennedy. Mas quem dá as cartas – e a credibilidade – ainda é apenas Slash.

O novo disco é seu melhor lançamento desde sua saída do Guns N’ Roses: forte e coeso. O guitarrista soa mais solto e orgânico. As guitarras estão mais pesadas e agressivas, com reminiscências do rock vigoroso do seu projeto Slash’s Snakepit. Porém, os aprendizados do Velvet Revolver não foram esquecidos: as músicas têm bons arranjos, focados na canção bem acabada, sem excessos. O produtor Eric Valentine foi muito feliz na captura dos sons e dinâmica das músicas.

O repertório é consistente, fundamentado no hard rock clássico que consagrou o guitarrista. Em todas as músicas duas coisas ficam evidentes: a evolução de Slash como solista e compositor. As canções tem boas estruturas, ganchos e refrãos. A faixa-título, que abre o disco, tem um tipo de riff que Slash há tempos não usava: um fraseado mais longo e sinuoso, relembrando o primeiro Snakepit. A seguinte, “One last thrill”, tem um clima “party time” e mantém o ritmo em alta. “Standing in the sun” tem um riff que remete a “Locomotive”, do Guns N Roses.

“Halo” e “We will roam” mostram ótimos riffs em canções bem feitas. “Not for me” e “Far and away” provam sua evolução como compositor: são músicas com dinâmicas e sutilezas. Vale destacar que Apocalyptic Love conta com duas músicas bônus, que não integram o lançamento normal: “Carolina” e “Crazy life”. São ótimas músicas, em especial essa última. Para quem ainda não ouviu vale procurar – e lamentar que tenham ficado só para versões especiais.

O álbum tem um único problema: embora muito bom, às vezes soa mais do mesmo – e tudo parece correto demais para um disco de rock. Slash ainda precisa de parceiros que o desafiem musicalmente e o façam avançar. Por enquanto, embora competentes, Myles Kennedy e “The Conspirators” não conseguiram desempenhar esse papel.

Nota do autor: em abril deste ano, fiz uma matéria sobre o disco para o Estadão, a partir de uma entrevista com Slash. O resultado você lê neste link.

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