God Save The Queen: quando a cópia é a melhor opção


Muita calma nessa hora: este não é o Queen, é o God Save The Queen

Sempre que se pensa em “banda-tributo” logo vem à mente aquelas bandas cover tocando em botecos decadentes. Para elevar o nível da classe e separá-las em categorias, inventaram o termo “cover oficial”, que geralmente recebe a chancela dos artistas originais. É o caso da banda Letz Zep, aprovada e recomendada por Jimmy Page em pessoa. Na noite de 13/07 a rádio KISS FM promoveu uma série de shows em comemoração ao Dia do Rock, e foi lá que pude entender perfeitamente essa separação entre um cover tosco e uma banda-tributo. A banda italiana Zen Garden mostra uma versão bastante próxima do que é o U2. Além de parecido, o Bono “zen” replica com fidelidade os trejeitos, os falsetes e até o messianismo do original. Mas o Zen Garden tem algo que joga contra: o próprio U2, que continua em plena atividade — o que, consequentemente, diminui o interesse por sua cópia fiel.

Mas a grande atração daquela noite era a banda argentina God Save The Queen (Dios Salve La Reina), que conquistou fama de ser a versão mais fiel do Queen original. A introdução do show, emendando na energética “One Vision” já sinalizava o capricho na produção. Eis que entra o vocalista Pablo Padin. Seria injusto dizer que ele faz uma imitação perfeita do Freddie Mercury. Ele parece a própria reencarnação do maior frontman da história do rock. Além de parecido fisicamente com Mercury, ele reproduz o andar lépido, os punhos cerrados, os giros e gestuais de forma impressionante. O timbre da voz não é igual, claro — nem poderia —, mas é bastante similar e Padin compensa isso atingindo vigorosamente todas as notas. Mas ainda não era o bastante para o Freddie Mercury argentino. No clássico trecho operístico de “Bohemian Rhapsody”, ele encarou os vocais e tocou o piano, tudo ao vivo — coisa que nem o Queen original arriscava fazer no palco. Surreal.

Cuidadosamente selecionado, o repertório do show privilegia os clássicos, todos muito bem executados: “Under Pressure”, “Another One Bites The Dust”, “Radio Gaga”, “We Are the Champions”. Além de trazer algumas surpresas, como “I Want It All”, todas as versões são bastante fiéis às que conhecemos do famoso show de Wembley, como a versão acústica de “Love Of My Life” e o medley “We Will Rock You/ Friends Will Be Friends”. Tudo à volta do God Save the Queen ajuda a recompor aquela atmosfera do histórico show de 1986: cenário, figurino, iluminação (com um quê de Live Killers). O resultado final é irretocável. Quatro caras trabalhando com esmero e levando o conceito de banda-tributo aos seus estertores, para poder entregar ao público aquele Queen de 1986, no auge da glória, como que numa imagem congelada no tempo.

Tudo isso me leva a uma reflexão — nada lisonjeira — em relação ao que restou do Queen original. Depois da desastrosa união de forças com Paul Rodgers, eles conseguiram descer ainda mais fundo no subsolo, se tornando um novo desafio para engenheiros civis e geólogos. Diretamente saído do estranho mundo dos reality shows, Adam Lambert foi anunciado como o novo vocalista, transformando o mitológico grupo num arremedo de banda cover que até mesmo o moquifo mais pé-sujo dessa cidade se dignaria a recusar. E do jeito que a coisa vai, não ficarei surpreso se o próximo vocalista for o Justin Bieber…

Enfim, o que o vou dizer agora não será muito fácil para alguns digerirem, mas aqui vai: se você é realmente fã de Queen, esqueça o “original” e fique com a “cópia”, pois, neste caso, os signos por trás dos dois termos ficaram trocados. A banda-tributo salvou a rainha de ser escorraçada de seu trono.

6 Responses to “God Save The Queen: quando a cópia é a melhor opção”

  1. Meu pai é cover da dupla Teodoro e Sampaio.

    Que orgulho!!

  2. Rodrigo Annes disse:

    Assisti a apresentação do “God Save The Queen” em Brasília e também fiquei bastante impressionado. Nos dias de hoje, acho que o show deles é experiência mais próxima possível de uma apresentação do Queen, superando até as turnês do Brian May com o Roger Taylor. Um abraço!

  3. Lucindo Tomiosso Jr disse:

    Muito bom Diogo, eu já tinha ouvido falar da banda, mas nunca dei o crédito suficiente, ontem vendo a transmissão do show pelo Youtube (aliás uma experiência muito legal), vi que os caras estão em outro patamar relacionado a bandas cover, realmente esses caras são sensacionais.