Tungcast#056: Jack White – gênio ou farsa?

jackwhite

 

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00:00 – Apresentação: “Aluminum”
02:40 – White Stripes: um arremedo de banda que vendeu para a mídia e para o público o formato bateria/guitarra como “inovador”.
05:20 – Antes de “Seven Nation Army”, a banda era de nicho. Depois, virou mainstream.
07:30 – Meg White: a pior baterista que já habitou este planeta e a responsável pela mediocridade do White Stripes (ouça trecho de “Blue Orchid”)
12:00 – Os primeiros discos são garranchos de uma banda de garagem. Elephant marca uma evolução e Get Me Behind Satan é um Moulin Rouge indie (trecho de “White Moon”)
16:00 – Os vocais estilo Zed (Loucademia de Polícia) do Jack White e a formação do The Racounters (ouça trecho de “Consoler the Lonely”)
19:00 – O lobby dos indies: havia uma carência de um guitarrista ícone e a intelligentsia escolheu o Jack White para “salvar” o mainstream. Mas a realidade é outra: JW é fraco musicalmente, não apresentou nada novo, não mostrou nenhuma ruptura, não tem fluência nem consistência no tocar, enfim, nada que justifique essa euforia.
27:00 – Johnny Ramone e Kurt Cobain não trouxeram nada relevante para a história da guitarra, mas sim para a história do rock, no aspecto de ruptura estética e de movimento. Jack White não fez nem uma coisa nem outra.
30:00 – A eterna polêmica da “técnica X alma”: George Harrison, The Edge e David Gilmour nunca foram virtuoses, mas deram suas contribuições e foram influentes. Por que colocam Steve Vai e Satriani entre os “sem alma”?
33:00 – Por que Jack White virou queridinho da mídia? Ao contrário do Kurt Cobain, ele é um cara blasé e sabe jogar muito bem com as adulações, criando mitos (ouça “Treat Me Like Your Mother”, do Dead Weather)
36:00 – A praga do “de raiz”: só por ser de raiz significa que é bom? Jack White não conseguiu resgatar coisa alguma. Apenas levou a guitarra para a idade da pedra.
40:00 – O novo disco Blunderbuss: a adesão bovina da mídia e o texto do Thales de Menezes na Folha de S. Paulo, que classificou o disco como um “passeio por possibilidades da guitarra” e Jack White como “virtuoso, sem dúvida, mas enxuto”.
43:00 – Se os indies sempre rejeitaram comparações com o classic rock, por que estão colocando Jack White ao lado de Hendrix e Clapton? (trecho de “Ball And Biscuit”)
46:30Blunderbuss é um disco muito mais pop e Jack White se provou muito mais compositor do que guitarrista. Quando sai da garagem e foca na composição, ele vai bem.
51:00 – Os indies sempre criticaram o classic rock, o glam e todos os exageros do pop, de Elton John, Queen, etc, mas Blunderbuss segue por essa mesma trilha (trecho de “Hypocritical Kiss”)
53:30 – Jack White em 3 momentos: o guitarrista limitado, o compositor esforçado e o marqueteiro visionário. Em 3 personagens: Zed, Lou Reed jovem e Edward Mãos de Tesoura.
58:30 – Encerramento: “Take Me With You When You Go”

Leituras recomendadas:
Diogo Salles: Celebrando o fim do White Stripes, o Teletubbies do rock
Rafael Fernandes: White Stripes, Icky Thump e a unanimidade burra (2007)
Crítica do disco Blunderbuss, por Rafael Fernandes

43 Responses to “Tungcast#056: Jack White – gênio ou farsa?”

  1. Jack Branco para mim tem o mesmo peso musical de um rapper usando um refrão com autotune.

  2. Johnny Marr por exemplo promoveu uma espécie de ruptura na abordagem da guitarra,em muito por uma complexidade artesanal. Hoje especialmente os indies reconhecem essa influência pelo mesmo motivo… novamente, assim como no caso de Adele e Amy(Na verdade um pouco diferente) a mídia das multidões e formadores de opinião, com muita pretensão de sair na frente na descoberta de icones pop acabaram fazendo a merda de eleger esse cara, e hoje não tem a virilidade de voltar atrás.

    • Diogo Salles disse:

      Gustavo, esse é um dos pontos que destacamos na discussão. Depois que o primeiro levantou a bandeira, todos form atrás sem nem ao menos ouvir o trabalho dele.
      É o clássico caso do pensamento de manada. Triste.

      Pelo menos a Amy e a Adele têm talento, apesar de todos os exageros da mídia.

      Não sou fã do Johnny Marr, mas reconheço que ele teve seu mérito, principalmente porque trouxe a guitarra melódica numa época em que só se valorizava a velocidade (anos 80).

      abs
      Diogo

  3. Alice Salles disse:

    Well, Jack nunca quis ser um virtuoso. Ele é um bluesman que infelizmente nasceu branco. Por ter crescido como um branco católico em Detroit, uma cidade basicamente negra e protestante com um ar de blues ‘de raiz’ que só existe por lá e em Chicago, Jack cresceu com essa culpa por não poder prestar toda e total homenagem ao arquétipo do bluesman indigente da sua terra… Ele é um cara dedicado à cultura dele e por isso, sempre louvou o que é cru e mal trabalhado mas feito com ~ fucking raw passion ~.
    Eu entendo seu ponto de vista mas o que vejo no Jack é isso mesmo: um bluesman quase culpado demais por não ter tido como fazer o suficiente pela cultura dele e ter que lidar com o fato de que, de repente, ele virou mainstream. Como um bluesman sem instrução abraça o mainstream sem ser descuidado e um pouco ~estranho~? Não tem como… <3

    • Diogo Salles disse:

      Alice, obrigado pelo comentário. Nossa crítica não reside no fato que ele valoriza o simples ou gosta de blues de raiz, mas sim na falta de fluência no tocar e na pretensão estética.

      Claro que boa parte da culpa desse falso fenômeno é da crítica “especializada” que só joga confetes e abandonou o senso crítico.

      bjs
      Diogo

  4. Alice Salles disse:

    Ah mas crítica espealizada sabe de algo desde quando? Nevah! :o )

    Beijos!

    • Diogo Salles disse:

      Não, mas, bem ou mal, ela acaba pautando o mainstream e o pensamento corrente. Ou ele não virou “guitar hero” depois que NMW, Rolling Stone e quejandos o colocaram assim?

      Ah, e não há nada de errado num bluseiro ser branco. Além dos que citamos no podcast, nomes como Stevie Ray Vaughan, Johnny Winter e Rory Gallagher mostram isso.

      bjs
      Diogo

  5. “Meg White é uma não-baterista” hahaha Boa! Ó, achei bom, concordo com muita coisa, especialmente que ele compõe bem melhor do que toca. Concordo tbm que ele seja incensado muito mais por carência do que “méritos”.

    Muito boa tbm a análise de que J. Ramone e Cobain agregaram ao rock, e não à guitarra. Mas Jack White é um símbolo dessa era de “pulverização” através da web. Por isso, reitero: gosto de mta coisa dele, jamais idolatrei, mas tem seu lugar na história, é simbólico, sem qualquer juízo de valor. E é um empreendedor no ramo, fez seu selo, organiza mta coisa,etc

    Importante saber separar a idolatria da simpatia, nem todo mundo que não despreza o cara, o idolatra. Vocês foram bem.

    • Diogo Salles disse:

      Francisco, ótima a sua análise. E veja só, não é proibido admirar o cara ou gostar das coisas que ele faz. Pelo contrário, ele tem mesmo seu méritos, principalmente na parte empreendedora em tempos de internet e download de música.

      Mas não se pode confundir as coisas. Jack White não representa absolutamente nada no universo da guitarra e não deveria ser maior ou mais valoridado do que um Thurston Moore, por exemplo. Claro que ele não se propôs dessa forma e nem tinha essa pretensão. Foi um fenômeno de marketing que as pessoas simplesmente não se propuseram a questionar. E claro que ele tirou proveito disso. Como? Fingindo que não era com ele, blasé. A coisa tomou uma forma tão desproporcional que chegamos aonde chegamos, num lugar em que ele é colocado ao lado de Clapton e Hendrix. Até as revistas especializadas em guitarra o tratam como “deus”. Simplesmente patético.

      Aí eu pergunto: não tinha passado da hora de questionar isso? Ao nos prepararmos para gravar este podcast, pesquisamos tudo quanto é publicação e não conseguimos encontrar praticamente nada que arranhasse a imagem do “deus” Jack White.

      abs
      Diogo

  6. Pensando mais a respeito, teorizei que: Jack White jamais se propôs a ser um guitar hero. Ele é um cara ligado em blues, mas queria simplesmente ter uma banda “esquisita”, algo bem cru e tosco que fugisse dos padrões, e que chamasse a atenção justamente por essa idiossincracia de ser apenas uma guitarra, uma bateria (que poderia até ser programada) e seus vocais mezzo-lamúria, mezzo-Zed. Colocou a Meg White na bateria (que também jamais se propôs a ser uma baterista de verdade), o que deu ao White Stripes a composição estética que faltava, juntamente com a escolha das cores da banda.

    Esse som esquisito caiu nas graças de muita molecada ligada em novidades no início dos anos 00, mas JAMAIS por estarem interessados num grande guitarrista. A partir daí, a crítica especializada, mais velha do que os fãs, e sempre se sentindo na obrigação de fornecer razões para “isso é legal”, começou com esse grande mal entendido. Pela banda se tratar apenas de guitarra e bateria, e a baterista, no caso, poder ser facilmente substituída por programações ou um coelhinho da Duracell, só sobrava a guitarra de Jack White para que os críticos focassem suas tentativas de legitimização do sucesso do WS com seu público.

    Um grande erro. A partir daí houve essa fissura em colocar Jack White como um grande guitarrista, só porque a banda fazia sucesso e a guitarra era tudo que ele tinha.

    Voltando ao início, acho que ele jamais se propôs a isso. O que pode ser discutido a partir daí, é se o Jack White deveria ter “lutado contra” esse estigma de guitar hero que lhe impuseram, ou ficar na dele e aproveitar pra capitalizar em cima disso. Acho que ele não fez nem tanto uma coisa, nem outra. Se manteve sem tomar partido e foi levando a coisa adiante. Inclusive, como vocês mesmos apontaram muito bem, é evidente que ele tenta se desvencilhar da guitarra, que compõe coisas boas, que cria peças mais elaboradas com ênfase em outros instrumentos, especialmente o piano. O que, mais uma vez, nos mostra que não vem dele qualquer esforço pra ter seu nome vinculado à história da guitarra, e isso é delírio dos críticos, como o caso do Thales de Menezes evidencia muito bem.

  7. Gabriel LC disse:

    Gostei do podcast, da análise do Jack White como músico. Gostei de Seven Nation Army quando ouvi, mas nunca tive vontade de correr atrás. Nesse podcast ficou claro pra mim o porquê. Se Jack White é gênio, Vernon Reid do Living Colour e o Travis Meeks do Days Of The New (em uma escala inferior) são o quê?
    Concordo com o comentário sobre samba de raiz em parte. Nem tudo que é samba de raiz é bom. Eu acho Cartola, Paulinho da Viola, Mano Décio da Viola, Roberto Ribeiro, dentre outros nomes muito bons, no aspecto melódico e de letra. Mas hoje há uma falta de criatividade na música como um todo, onde todo mundo que ser o novo “Cartola”, ou a nova “Elis Regina”, ou a nova “Dona Ivone Lara” ou até mesmo no rock, o novo “Hendrix”. Há uma preguiça em se criar algo novo, de fato. É mais fácil e cômodo para o mainstream e para artista ganhar dinheiro e fazer sucesso em cima dos novos “Velhos”.
    Gostei muito do Days of The New, principalmente do Green. Ótima dica. No mais parabéns pelo programa. Abs.

    • Diogo Salles disse:

      Gabriel, que legal que você gostou do Days of the New! O Green é mesmo coisa fina.

      Sobre o Jack White “de raiz”, é mais um argumento postiço que os hipsters colocaram para tentar validá-lo como “gênio” e “autêntico”.

      abs
      Diogo

  8. Minea Nunes disse:

    Essa dupla não-dinâmica The White Stripes nunca me desceu. Mas tenho uns amigos que gostam disso, pra mim tanto faz, o som dos caboclos de lança passando no Carnaval aqui parece com mais sentido e mais limpo que em muitas músicas dessas criaturas.
    Esse negócio de chamar de gênio é complicado, imagina se todo mundo colocar seu “ídolo” com esse “título”? hahahahaha

    ^^

    • Diogo Salles disse:

      Minea, dos fãs a gente até espera isso.

      Pior é quando os hypeiros de aluguel fazem isso de dentro da mídia. E pior ainda é quando as revistas especializadas em guitarra reproduzem o “fato”, com zero de análise e questionamento.

      abs
      Diogo

  9. Marcell disse:

    Essa crítica musical preguiçosa realmente não acrescenta em nada. Não ouvi o disco, mas das músicas que ouvi realmente não dá pra colocar a guitarra como protagonista. Além disso, chamar o Jack White de virtuoso é uma grande piada. Gostei muito do podcast, conheci ontem, ouvi vários episódios e vou continuar hoje. Parabéns pelo trabalho!

    • Diogo Salles disse:

      Marcell, obrigado pela audição e comentário. A sensação que temos é que a nossa crítica daqui apenas regurgita o que sai na fora. Falta análise e senso crítico.

      abs
      Diogo

  10. Marcell disse:

    Diogo,
    Não acompanho tanto as críticas que saem lá fora, mas se o pessoal daqui apenas reproduz o que eles publicam, podemos presumir que essa falta de análise é um problema global. Isso é bem preocupante, achei que era algo mais localizado.

  11. Valentin Raffo disse:

    Queria saber a opinião de vocês sobre Black Keys

  12. Eduardo Cruz disse:

    Acredito que Jack White não é meloso como Slash nem brilhante como Jimmy Page mas, ele consegue criar ótimos riffs que conseguem grudar só de ouvir uma vez. Não é extremamente brilhante, mas para um cara que começou na bateria até que se sai muito bem nas cordas.

    • Rafael Fernandes disse:

      Eduardo, não gosto do JW, mas acho que é por aí. Boas ideias, mas nada de genialidade. Só espero que ele seja melhor baterista que a Meg White. rsrs

      Obrigado pelo comentário, volte sempre.

      Abs,

      Rafael Fernandes

  13. cris disse:

    Certamente Jack White não é um gênio, mas sim um cara de sorte em uma epoca de poucas novidades no universo musical, e o Jack White é um esforço da midia em criar lendas, mas sem muita sustentação musical e inovações

  14. Caio disse:

    FARÇA COM FORÇA, um guitarrista comum, sem mais nada.

  15. Thiago Cordeiro disse:

    Jimmy Page elogia a expressividade e a criatividade no tocar de Jack White. E você, quem é?

  16. Thiago Cordeiro disse:

    Nada contra o site de vocês ou ao conteúdo, o texto está muito bem escrito por sinal, só sugiro que abordem temas dos quais vocês possuem certo conhecimento sobre. Evitem falar de música, especialmente de guitarra. Não acho decente ler duas críticas negativas a respeito de um tema e construir a sua em cima disto, seria no mínimo razoável estudar opiniões neutras. Poderíamos concordar que JW não é um guitarrista sobre-humano como os movimentos de Hendrix, Page e Hazel, mas de qualquer forma, Clapton, Alvin Lee, e nomes como Buddy Guy também não. De longe não considero JW um bluesman, mas de qualquer forma, seja no blues ou no rock esse pós-modernismo escroto dá atenção demasiada à técnica e esquece que música é aquilo que se ouve, e não aquilo que se faz. De qualquer modo não irei discutir o mérito dessa questão, afinal, Satriani é um guitarrista com ‘alma’.

  17. Rafael Fernandes disse:

    Thiago, isso não é um texto, é um podcast. Sugiro OUVIR o programa inteiro antes de, em suas palavras, “construir a sua (tese) em cima” do que está escrito (que é um resumo de temas).

    E “opiniões neutras” não existem. Opinião é sobre as escolhas e crenças de uma pessoa.

    Por fim: somos tão irrelevantes que você veio duas vezes aqui comentar.

    Rafael Fernandes

  18. Caio Aguiar disse:

    Jack White não pode ser considerado um gênio da guitarra, mas sempre se expressou muito bem por ela, criando sua personalidade com esse som “estranho” mesmo. Admiro o cara, ele tem sua parcela no mundo da música merecidamente, sua elevação à status de “deus” pela mídia é outra história, me baseio nas coisas que ele faz, não as coisas que são ditas por terceiros. Admiro esse estilo “cru” dele tocar e confesso que o tomo como uma de minhas influências. Só acho que esse Diogo devia parar de agradecer os que concordam com a opinião dele enquanto fala mal dos que são contra ele. Nem baixarei essa merda de podcast. Se acham que ele não merece estar onde está, então vão lá e façam melhor.

    • Diogo Salles disse:

      Caio, quem me acompanha sabe que sempre agradeci as pessoas que comentam educadamente, concordando ou não comigo.

      Até compreendo os motivos de sua admiração pelo Jack White, mas esse seu “vão lá e façam melhor” é rísivel, para dizer o mínimo.

      Mesmo que você não tenha baixado o podcast, agradeço sua parada aqui para comentar. :D

      Forte abraço
      Diogo

  19. Pedro L. disse:

    Olá, como gosto muito de podcast e de música em geral, acabei encontrando esse site. Depois de uma pesquisa rápida, esse foi o primeiro podcast que resolvi ouvir, pois White Stripes sempre foi uma das minhas bandas preferidas.

    Minha primeira crítica ao podcast em si: já que a proposta é comentar a música de um maneira geek, seria legal se vcs escolhessem uma banda e explicassem o som dela e o apelo dela entre os fãs, mas de forma imparcial, sem dizer o que vocês pensam sobre esse apelo. Mas é claro que se o podcast tivesse o desejo de atrair somente pessoas com opinião e preferências semelhantes à dos autores, isso não faria sentido.

    Gostei da proposta de vocês de analisar a música de uma forma “geek”, pois toco violão e guitarra há mais de 10 anos, e pelo menos nos 5 primeiros anos eu era mais interessado em músicos virtuosos e em bandas mais técnicas. Entretanto, acho que essa abordagem não é a melhor para se analisar um banda como o White Stripes.

    Primeiramente, concordo que o Jack White não é nenhum guitar hero ou grande guitarrista se formos compará-lo com os guitarristas que foram importantes para a história do instrumento. Não concordo, porém com a crítica de vocês de que o Jack White simplesmente preencheu um espaço na história da música. Minha opinião é de que ele apresentou para a juventude da época (me incluo nesse grupo) uma série de conceitos e sonoridades antigas, que muitos não tinham visto ainda. Foi através do som do White Stripes que eu resolvi procurar bandas mais antigas e com sonoridades que eu ainda não estava confortável a ouvir. E essa não foi a única contribuição deles para a música, ao menos a meu ver.

    Lembrando que uma banda pode ser muito mais que uma identidade sonora, ela pode também criar uma identidade artística nos âmbitos visual e filosófico. Seria muita pretensão minha dizer que o White Stripes é a banda que surgiu com esse conceito ou foi a mais importante nesse quesito, mas acho impossível não pensar no White Stripes sem lembrar de todos os aspectos que definem e afirmam a identidade única da banda: as cores, a sonoridade crua (“raw”) e o formato das apresentações públicas da banda, em shows ou fora deles. O que destacou eles no mundo da música, em minha opinião, foi essa identidade única (a soma de tudo) e como ela estava sempre presente e exposta para todos.

    Em resumo: a banda chama a atenção (pelo menos a minha, não sei se outros fãs pensam da mesma forma) por realmente parecer que trata-se de uma banda de dois adolescentes de 12 anos fazendo música na garagem crua, com influências antigas e poucos recursos técnicos(tanto pelos vocais do Jack White, a temática das músicas e a Meg White tocando), o que também se manifesta visualmente no estilo da banda, com as cores que lembram a “peppermint candy” e o “candy cane”(as icônicas balas de menta vermelha e branca dos EUA e aquelas bengalas doces de lá também, respectivamente) e o estilo próprio do Jack White (Edward mãos-de-tesoura, como vocês mesmos disseram) e a da Meg White (que frequentemente se apresentava sem sapatos). Sim, já vocês previram que os fãs apreciavam esses aspectos, o que vocês ironizaram e depreciaram dizendo que todos “acham isso genial”.

    Quanto à atitude da banda, foi sempre muito legal o White Stripes, nas próprias palavras do Jack White, terem tentado ter sido a banda mais acessível de todas. O que ilustra bem isso é o DVD “Under Great White Northern Lights”, que mostra a turnê que a banda fez pelo Canadá. Em todas as cidades que eles se apresentavam havia um show marcado para a noite, e, pela manhã ou pela tarde, eles faziam um show gratuito em algum lugar da cidade. Eles avisavam o público sobre a apresentação gratuita de 1h até 10 minutos antes. Quanto aos lugares, eles escolhiam praças públicas, um boliche, chegaram de lancha para tocar próximos a um cais, tocaram em lanchonetes em beira de estrada e até mesmo em ônibus públicos urbanos.
    Se vocês tiverem interesse, recomendo também o DVD pois mostra o Jack White falando um pouco sobre a banda e a opinião dele sobre as críticas boas e as críticas ruins à banda pela mídia.

    Um comentário sobre o som do White Stripes: entendo que possa haver muita controvérsia quanto a isso, mas a “colagem mal feita de riffs” e as “demon tapes” deles, de certa forma, criavam uma sonoridade diferente. Isso é ruim ou bom? O que é certo é que é diferente, principalmente em relação às bandas da mesma época, o que chamou a atenção de muita gente – e me incluo aí mais uma vez. Os erros deles durante a música tornam o som deles bem vivo e são uma quebra de paradigma (não a que muitos querem ouvir, ou a que muitos estão confortáveis a ouvir). Se isso é a intencional ou não? Não faz muita diferença, o que interessa é o produto final. Quem acha que tudo no White Stripes é intencional considera eles grandes artistas (note que não usei a palavra “músicos”). Não tenho opinião quanto ao som deles ser intencional ou não, mas à época foi um refúgio em relação a tudo o que havia na época, e mesmo ao que existe atualmente.

    • Diogo Salles disse:

      Caro, Pedro

      Obrigado pelo comentário. Como sempre fazemos questão de frisar, nunca tivemos qualquer intenção de sermos imparciais. Nossa proposta é debater e analisar em nível geek, mas com opiniões embasadas e contextualizadas em nossas audições. Isso muitas vezes esbarra no gosto musical de quem está nos ouvindo, um risco que sempre vale a pena correr, não?

      Jack White preencheu uma grande lacuna musical que havia na virada do século e eles souberam catalisar isso muito bem. Nossa proposta era de contrapor as vozes em uníssono de nossa intelligentsia, que se abstém de analisá-lo criticamente. No mais, as ideias e conceitos de shows, a forma de se apresentar e se vender ao público, reconhecemos tudo isso no podcast. E se o WS te fez pesquisar bandas antigas, então para você ouvi-los foi benéfico. Mas para a grande maioria era só o hype mesmo.

      Sobre a colagem de riffs, nada de errado com isso, mas ao fazê-lo, o WS fez também uma opção muito mais pelo lado estético do que musical – um pouco parecido com o que aconteceu com o movimento punk no final dos anos 70.

      Forte abraço
      Diogo

  20. Raími disse:

    para não falar que ele não trouxe nada para a guitarra, ele tem uma paletada que corta o som que é muito loca, existem pedais que fazem o mesmo mas pra fazer na mão igual ele faz, o cara tem que suar

  21. Kim disse:

    Pessoal parabéns pelo podcast galera. Falta podcast do genêro aqui no Brasil.

    Vamos lá… Dizer que o JW não tem um bom fraseado pegou meio pesado, mas bom essa é minha simples opinião.

    Acho que vocês poderiam trazer num caso desses alguém que tivesse uma opinião contraria a de vocês para que o assunto evoluisse de forma mais orgânica. Quando temos 2 caras falando exatamente a mesma coisa acho que o assunto não sai do lugar.
    De toda forma se esta foi a proposta de vocês (trazer somente uma visão sobre este assunto) eu respeito.
    Discordei de muita coisa rss, mas internet também é isso.

    Abraço e continuem com o podcast.

    • Diogo Salles disse:

      Kim, por muito tempo pensamos em trazer alguém para fazer o contraponto, mas depois chegamos à conclusão que éramos nós que estávamos fazendo o contraponto a tudo o que saiu na imprensa e nas redes sociais sobre o Jack White (inclusive citando matérias dos líderes do hype musical). Ninguém tinha realmente parado para analisá-lo criticamente, portanto a nossa proposta foi fazer este trabalho.

      Embora não seja uma prática muito apreciada no Brasil, a discordância aqui é muito bem vinda.

      Forte abraço e obrigado pela visita
      Diogo

  22. El Duderino disse:

    Um pouco atrasado, mas vamos lá hahahahah. Vocês não acham errado juntar os “indies” em um grupo só, uma vez que a música indie não é nem um pouco homogênea?
    Abraço. e estou começando a ouvir seus podcasts e gostando muito!

    • Diogo Salles disse:

      El Duderino. Aqui não há atrasados. Qualquer hora vale!

      Não juntamos tudo num grupo só. Falamos apenas do cara que se tornou o ícone dos indies ;)

      Seja bem vindo!

      abs
      Diogo

  23. [|-DaRio-|] disse:

    Falar que um vocal é lamurioso e meio indolente é dizer nada sobre coisa nenhuma.

  24. GUILHERME disse:

    JACK WHITE RULES
    BANDO DE FILHO DA PUTA

  25. Renan disse:

    Vocês são ruins, aposentem esse podcast medíocre. Se é pra ser público e expor uma opinião tentem entender um pouco mais sobre música. O que é bm pra vocês? Que bandas vocês consideram “boas”.

    Eu por exemplo acho Guns n Roses o maior lixo de banda que já pisou sobre esse planeta, mas se eu tivesse um podcast não ia falar que o axel rose é um chupador, calça de couro e cabelo pra limpar a bunda.

    Foda-se o que vocês pensam, mas tem gente que se ofende,
    portanto vocês estão sendo burros e perdendo público.

    Fica a dica.

    Digo denovo, aposenta essa porra de podcast, porque guitarra não é solo, seus metaleirinhos de merda :)

  26. Diogo Salles disse:

    Poxa, Renan, ficamos realmente muito sentidos de perder pessoas educadas e sensatas como você e o Guilherme, aí logo acima de você.

    Magoei.. :(

  27. Guilherme Carvalho disse:

    Não acha que foi parcial demais? De qualquer forma o The White Stripes é uma banda com vários estilos num só, sem contar que se você ouvir The Raconteurs vai ver que tem uma musicalidade diferente tando da carreira solo dele, quanto do The Dead Weather e a carreira solo dele. Achei críticas incoerentes pelo fato de dizer que Jack White quis supostamente inovar com guitarra e bateria, até por que Jack White não foi o primeiro a fazer isso. Além do mais, o som dele sendo ”sujo” ou não, é sempre arrumado com algum solo muito bom, sei que o pessoal não se conforma dele ser aclamado pela crítica por gente que entende, e de ele estar entre os 100 melhores guitarristas do Mundo, mas não precisa exagera, o cara é bom sim.

    • Diogo Salles disse:

      Guilherme, não. Não achamos que foi parcial demais. Foi de menos, até.

      Quisemos fazer uma análise severa, mas sóbria, sem os confetes dos indies que dominam a imprensa cultural.

      E nem usamos como parâmetro bandas ou gêneros que gostamos. Apenas fizemos uma contraposição do que ouvimos com o que vimos na imprensa, blogs e redes sociais.

      Pode procurar na internet e nos jornais, você não vai achar nenhuma análise como essa em lugar nenhum.

      Outra coisa: sujo não significa que é bom para quem gosta de sujeira. Sujeira também pode ser artisticamente vazia e preguiçosa – como acreditamos que seja o caso do WS.

      abraços
      Diogo

  28. Bruno Pavani disse:

    Cara na boa nunca ouvi tanta besteira, foi puramente por gosto as analises, porque claramente foi sem embasamento, diga-se o próprio Jimmy Page que já elogiou, sem contar a mídia especializada, cara na boa faltar bagagem? O cara é um puta produtor musical, se você pesquisar um pouco sobre a gravadora dele, outra coisa dizer que The Racounteurs é uma banda limita também por favor… Mas a Meg White é bem ruim mesmo tanto que até o Jack White desistiu dela.