Tungcast#044: Os artistas chorões do mercado musical

Thiago Bianchi, em momento de extrema indignação

Thiago Bianchi, em momento de extrema indignação

 

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00:00 – Apresentação: artistas chorões são aquele que se acham gênios, que o mercado está errado, que todo mundo é burro.
02:00 – O que define um artista, antes de tudo é o ego. Ele acha que as pessoas devem segui-lo, quando deveria ser o contrário. E muitos já são egomaníacos antes mesmo de terem lançado qualquer coisa no mercado.
05:00 – Comentário do André Midani: ” Os artistas devem tomar a dianteira de seu negócio, para que os burocratas nao o façam.” Artistas adoram ficar na vida boêmia, mas não querem botar a mão na massa. É a preguiça disfarçada de nobreza intelectual.
10:00 – Também tem muita gente trabalhando sem chorar. A Abrafin e o Espaço Cubo produzem vários festivais de música pelo Brasil, como o “Grito Rock” em Cuiabá.
14:00 – Enquanto o pessoal do metal chora, os indies fazem. O exemplo do Primavera Sound em Barcelona e do site colaborativo Queremos.
17:30 – A choradeira de roqueiros brazucas, como Edu Ardanuy (Dr. Sin) e Thiago Bianchi (Shaman), sem levar em conta que o metal é um estilo datado e restrito ao seu nicho. De onde eles tiraram que o mercado ou o público brasileiro deve algo a eles? De onde eles tiraram que eles estão nos representando em algo?
26:30A resposta de Marcelo Moreira no blog Combate Rock. É errado achar que o mercado de metal será equivalente ao americano ou europeu. O público não só de metal, mas o de música em geral, ficou muito cínico em relação aos downloads.
29:30 – A grande pergunta é: por que o público prefere gastar 50 reais numa balada e nao quer pagar pelo show ou CD de sua banda favorita? O exemplo do guitarrista curitibano Sergio Buss.
31:00 – A proposta de Thiago Bianchi em oficializar a data de 13/11 como dia do metal brasileiro (informações no site Metal Prol Brasil)
32:00 – Encerramento: “Breaking the Law”, Judas Priest.

4 Responses to “Tungcast#044: Os artistas chorões do mercado musical”

  1. Nelson Souza disse:

    Muito boa a discussão colocada em pauta pelo Tungcast, como admirador de heavy metal eu tive um interesse particular pela discussão.

    Eu acho que o exemplo do Angra é bem emblemático, mas apesar de todo o problema existente, acredito que há coisas boas sendo feitas em prol do fortalecimento da “cena” (concordo que o heavy metal sempre vai ser algo de um nicho muito específico, as pessoas geralmente contra-argumentam dizendo algo como “ah, se o Iron enche o Morumbi, como um show nacional não enche um Blackmore?”, eu acho que é preciso entender que pouca, mas muito pouca gente mesmo, tem interesse em conhecer alguma coisa nova e ainda por cima nacional, eu já tentei recomendar bandas diversas vezes para conhecidos e ouvi muito “é nacional? Nem vou perder tempo”).

    O próprio Tiago Bianchi, pode-se criticá-lo por qualquer coisa (lotar caixas de e-mail chega a ser ridículo), até por fazer álbuns medíocres no Shaman, mas não por inoperância, essa manifestação dele em prol do “dia nacional do heavy metal” resultou numa espécie de festival que acontecerá no mês que vem no Carioca Club, outras bandas, de forma mais independente, também tentam gravar seus discos, promover shows, o “problema” é que essas ações geralmente acabam com pouquíssimo reconhecimento do público, por exemplo, há uma clara preferência das pessoas de saírem num sábado à noite para ver um cover de um Deep Purple, Led ou Metallica a tentar conhecer uma banda nova com som próprio (até por isso as bandas não tem espaço para aparecer, é mais lucrativo para os bares e afins ter os covers).

    Acredito que grande parte do “problema” do metal é a falta de ação do suposto público de metal, que acaba gerando um cenário muito complicado para bandas novas surgirem (bandas que eu acho boas, como Shadowside, Hibria, Almah, Ecliptyca conseguem ter muito mais reconhecimento e atividade fora do Brasil), a “malandragem” dos supostos fãs de músicas citada com o exemplo do Sergio Buss é um grande exemplo disso. Mesmo concordando com vocês no ponto em que nós não somos obrigados a nada só pelo “nacionalismo”, acho que, se gosto realmente da música que alguém faz, eu devo tentar apoiar as pessoas por trás dela para que elas possam continuar fazendo essa música, nada por caridade ou por sentimento nacionalista de “devemos apoiar tudo que é nacional só porque é nacional”, mas por gostar da música feita.

    Eu talvez seja um fã de música à moda “antiga”, eu gosto de apoiar as bandas que gosto, comprando cds, camisetas, indo a shows (mesmo achando um absurdo esses horários que os bares e casas de shows impõem para as apresentações), indicando bandas pra conhecidos e etc.

    Por isso talvez eu tenha um julgamento equivocado (e com certeza não conheço nada dos bastidores e dificuldades para ter um conhecimento sólido para afirmar qualquer coisa), talvez exista alguma desunião na “cena” (no último sábado mesmo eu fui até um evento de um programa chamado Stay Heavy e vi muitas indiretas sendo soltas para criticando outras pessoas que supostamente não dão valor ao que eles estavam fazendo), talvez existam alguns problemas estruturais (divulgação pobre de lançamentos e eventos, má produção, eventos com atrasos e cortes na programação), mas eu acho que o primordial nessa questão é que, além das pessoas que gostam de metal serem um público muito restrito, esse pouco número de pessoas geralmente não ajuda as bandas novas a crescerem, dizendo que gostam e acharam legais, mas não gastam 20 reais pra comprar o cd da banda… nisso, eu acabo sendo obrigado a concordar com alguns argumentos dos “artistas” citados.

    Desculpem-me o comentário extremamente longo e um tanto confuso, mas é uma questão complicada onde eu acho que não dá para se chegar em uma resposta absoluta que vai resolver os “problemas” e eu não consegui expor meu ponto de vista de uma forma resumida.

    No mais, parabéns pelo podcast!

    • Rafael Fernandes disse:

      Nelson, muito obrigado pelo comentário.

      Não precisa se desculpar pelo tamanho do que escreveu, ficamos felizes que o podcast tenha gerado essa necessidade de escrever. E sempre gostamos quando os ouvintes nos complementam ou nos contestam com bons argumentos.

      Você tem pontos bastante interessantes, como a preferência por shows covers a bandas novas. Não falamos sobre isso, mas você tem toda a razão na crítica.

      Certamente, no caso do Metal no Brasil, não há só uma resposta. Mas em outros podcasts, e nesse mesmo, também criticamos esses supostos fãs que são cínicos o bastante para não apoiar, não comprar nada e ainda ficarem reclamando na internet.

      Obrigado pela audição.

      Abraço,

      Rafael Fernandes

  2. Gostei muito do cast de vocês! Já fui “verdadeiro metaleiro” mas hoje não frequento mais. Só vou para grandes shows ou algo que sei que vai se realmente bom.
    Concordo com tudo que vocês falaram, e a cena da minha cidade (na época que frequentava) era mais de ação do que de chororô. O pessoal organizava show e vendia seu cd por 10, 15 conto no show mesmo. Ainda hoje vejo alguns cartazes dos shows com 8 10 bandas pra todo mundo ter sua oportunidade (fui muitos desses uhuhuhu).
    Sobre o dia do metal e a choradeira de certos artistas fãs, esse pessoal é muito pau no cu… tinha nojo quando ia no show do angra e tava repleto deles. Eles são tão cegos que um abril pro rock que fui e o show do Shaman foi o pior de todos de longe (pela decadência da banda, pelo som tá ruim, e por andré mattos ficar enganchado no teclado e ajeitando o cabelo) e teve fã dizendo que foi o melhor da vida.
    É isso, abracetas!

    • Rafael Fernandes disse:

      Oi, Rodolfo, obrigado pela audição e pelo comentário.

      Acho que você tocou num ponto interessante nesse show do Shaman, o “fator decadência”. Vejo que muitas das bandas brasileiras mais antigas estão entrando num processo de franca decadência musical. Talvez esteja na hora das novas bandas aparecerem mais – se é que ainda há espaço/interesse para isso.

      Abraço,

      Rafael Fernandes